Quando a delegação paranaense comemorou na sede da Organização Internacional de Epizootias (OIE), em Paris, o reconhecimento dessa entidade, qualificando o Estado livre de febre aftosa, embora com vacinação, parecia uma vibração de conquista de copa mundial de futebol. Exageros à parte, a alegria contagiante dos paranaenses procedia. Afinal, a resolução número 12 da OIE – desejada avidamente por países do Terceiro Mundo – é muito mais do que uma protocolar certificação internacional do organismo com maior credibilidade no Planeta, na área de zoonoses.
Segundo Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o sinal verde do exigente mercado europeu fica fácil de ser entendido a partir de uma visão prática. Somente agora o Estado pode vender à Europa carne bovina in natura (não mais somente dessossada ou enlatada), conquistando uma pequena fatia de um mercado próspero, rico, porém altamente exigente quando se trata sobretudo de alimentos.
PerspectivasNa atualidade o Paraná exporta aos europeus aproximadamente 45 mil toneladas. Com o certificado da OIE, os importadores europeus abrem perspectiva de adquirir por ano 160 mil toneladas. O faturamento deve subir, em três anos, de 60 milhões para 320 milhões de dólares. Tudo porque se até então os franceses, ingleses, italianos e outros povos só adquiriam carcaça bovina dessossada ou enlatada, desde já podem fazer seus pedidos de carne resfriada, cuja cotação é maior.
São cortes nobres com valores agregados. Assim, ao aumento do volume exportado, soma-se maior faturamento pelo mais alto valor das peças embarcadas em containers de navios com destino aos países europeus.
Na prática, segundo Antônio Leonel Poloni, Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná e também presente em Paris, já era tempo de a pecuária paranaense alcançar maturidade e reconhecimento internacional. ‘‘Temos o maior rebanho comercial do mundo; é grande a procura por carnes zebuínas, por serem de melhor sabor e, mesmo assim, ficávamos com migalhas do mercado europeu’’, justificava Poloni.
Melhor para o Paraná que, com rebanho bovino de 9 milhões de cabeças, pode tirar vantagem dupla: as raças zebuínas produzem carnes cuja gordura fica nas bordas, enquanto as raças européias apresentam gordura entrelaçada na carne. Agora, é só apresentar o menu aos europeus, para a sua escolha. O sinal verde já foi dado pela OIE. Argentina e Estados brasileiros (São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) já faturam alto nesta fatia do mercado internacional europeu.

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