Paraná perdeu 19,5% das sementes de trigo
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
Geadas, seca e chuvas em momentos indesejáveis foram responáveis pela perda de 19,5% das semente de trigo no Paraná. O presidente da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), Iawao Miyamoto, esta semana um relatório à Associação Brasileira (Abrasem) para ser encaminhado ao Ministério da Agricultura mostrando as necessidades do setor.
O levantamento foi feito junto a cada um dos 80 produtores paranaenses. Nos seis núcleos regionais da Apasem as perdas estão assim distribuídas: Norte - 20%, Maringá: 41%; Ponta Grossa, 22%; Sudoeste: 45% e Guarapuava e Londrina não tiveram perdas.
No núcleo da região Norte o prejuízo maior foi em função da seca durante a vegetação do trigo, implicando em baixa da produividade. A chuva esparsa, egundo Miyamoto, impediu um prejuízo maior durante o período de colheita.
No restante do Paraná o prejuízo maior se deu em função da geada.
No entanto, a quebra não chegou a prejudicar o abastecimento para a safra do próximo ano, segundo Miyamoto, caso não haja nenhum problema como mais chuvas, granizo, produtor de semente não conseguir comprar matéria-prima, quebra de germinação na análise laboratorial, reprovação de semente pela certificação da secretária de Agricultura do Estado.
Ano retrasado, de acordo com o presidente da Apasem. a geada forte provocou um prejuízo de 50% nas lavouras de trigo do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 2001 foi normal com sobra de semente e este ano se não houver mais nenhum problema a oferta está equilibrada.
A necessidade real de sementes para a próxima safra, dentro da projeção de aumentar de 10% a 15% a área de plantio do Estado, que saltará de 950 mil hectares para 1.050 a 1.100 milhão, é de 2.700 milhões de sacas 50 quilos de sementes.
Segundo Miyamoto, de acordo com o levantamento feito junto aos produtores a meta é de produzir 2.900 milhões de sacas. O preço do trigo industrial está excelente, de acordo com o presidente da Apasem: R$ 36,00 a saca de 60 quilos contra R$ 20,00 no ano passado. Esta supervalorização se deve, de acordo com Myiamoto, à falta de matéria-prima, falta do trigo argentino, à alta do dólar e a quebra da safra brasileira.
Grão industrial - Em nova avaliação dos prejuízos causados pelo clima às lavouras de trigo do Paraná, o Deral estimou esta semana em 38% a quebra de safra no Estado, um volume de 922.319 toneladas sobre as 2.451.878 t previstas inicialmente. Com isso, o Paraná, maior produtor nacional de trigo, deve colher apenas 1.529.559 t, ou seja, menos que no ano passado (1,840 milhão). As perdas são consequência de 50 dias de estiagem no início do plantio, em maio, e da geada às vésperas da colheita, no início de setembro.
Segundo a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral, essa segunda estimativa já considera, em parte, os efeitos de quase duas semanas de chuva em setembro. Mas uma avaliação definitiva da safra só será divulgada no fim do mês, possivelmente com a colheita já concluída no Estado.
Todas as regiões produtoras de trigo do Paraná devem ter perda de produtividade nesta safra. Na avaliação do Deral, a região Norte deve colher 1.359 quilos de trigo por hectare, contra uma estimativa inicial de 2.377 kg/ha, queda de 42%.
No Noroeste, a estimativa é de 1.245 kg/ha (40% a menos), no Oeste, de 1.787 kg/ha (queda de 18%), no Centro-Oeste, 1.700 kg/ha (-22%), no Sul, de 2.000 kg/ha (-27%), e no Sudoeste, de 1.668 kg/ha (-15%).


