Paraná, o ‘‘paraíso verde’’
Jota Oliveira
Na Praia da Boa Viagem, em Recife, muita gente refresca-se na água do Atlântico e na areia ensombreada pelos edifícios da orla da capital pernambucana. Ali estão nordestinos, estrangeiros e brasileiros de toda parte. ‘‘Vocês moram num paraíso. Tudo tão verde’’, comenta um cidadão do interior de Pernambuco, falando a um grupo de turistas paranaenses.
Quem vive longe, vem ao Paraná somente em visita, para conhecer as belezas naturais (Vila Velha, Cataratas do Iguaçu) ou artificiais (Itaipu), admira-se com a paisagem ocupada pela agricultura verde, exuberante. Não pode imaginar a pobreza que ainda existe no campo e os problemas enfrentados pelos lavradores e pecuaristas paranaenses.
Homem do Interior, de uma região agrícola, o Sudoeste do Estado, o novo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antônio Leonel Polloni, demonstra conhecer a realidade. Ele manifestou isto em Londrina, onde esteve terça-feira, quando falou da necessidade de reduzir a pobreza rural.
Polloni apontou alguns caminhos que deverão ser usados, para tentar alcançar essa meta de reflexos econômicos e sociais: a distribuição de R$120 milhões entre 67 mil famílias, através do programa Paraná 12 Meses; a construção de mais 200 vilas rurais; fomento à agroindústria comunitária; funcionamento da Escola do Campo, que tratará de aperfeiçoar os métodos de trabalho dos agricultores, visando sua melhoria econômica e social.
O dinheiro (R$120 milhões) anunciado é parte de um financiamento de US$350 milhões, do Banco Mundial. Para a distribuição daquele recurso será mobilizada a comunidade; não será uma decisão apenas do Estado, pois está definido o envolvimento comunitário. Iniciativas como essa, de mobilização de quem está diretamente interessado - no caso, o lavrador e sua família - costumam dar certo. Pelo menos a ponta mais fraca da corrente, o objeto principal dos recursos, poderá opinar: preciso ou não do dinheiro? Em caso positivo, preciso de quanto? E no que vou aplicar? Melhor do que os pacotes financeiros e tecnológicos fechados, amarrados por mãos distantes da realidade do campo. Da discussão para definir o critério para liberação do dinheiro aos agricultores participarão também a Emater e as prefeituras, além da comunidade de agricultores.
Essa estratégia poderá ter repercussão positiva na mão-de-obra, ao aumentar (pelo menos é o que se espera de qualquer meta de governo) a oferta de empregos. E o desemprego é uma das inquietações do novo secretário, que disse estar preocupado com os reflexos, da mecanização, na mão-de-obra empregada na cotonicultura. O algodão é uma da principais fontes de emprego rural no Estado, mas a área de cultivo vem caindo, enquanto ao mesmpo tempo aumenta, no País, a colheita mecanizada. Sem emprego, sem escolaridade e sem opções de trabalho nas cidades, o empregado rural pode vir a encontrar alternativa no campo mesmo. Porém, a necessidade é para ontem.
Dois ‘‘instrumentos’’, a Escola do Campo e a industrialização, objetos hoje de intenção, ainda, anunciados em Londrina pelo Secretário, seriam alavancas importantes de desenvolvimento, e maior oferta de empregos, na área rural. No currículo de reeducação do homem do campo não podem faltar a tecnologia para produzir; as condições de segurar a produção ‘‘atrás da porteira’’, enquanto ela estiver desvalorizada, e o ‘‘como vender’’.
O autor é editor da Folha Rural.

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