Paraná mantém vigilância rigorosa
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sexta-feira, 08 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A Defesa Sanitária da Secretaria da Agricultura do Paraná está vigilante durante 24 horas por dia para evitar a entrada da febre aftosa no Estado. O estado de alerta vem desde o último dia 24, quando foi descoberto o primeiro foco de febre aftosa nos municípios da região Noroeste do Rio Grande do Sul. Antes disso, a Vigilância Sanitária já havia reforçado as barreiras na fronteira com o Paraguai, de onde se suspeita que seja a origem dos focos de febre aftosa que contaminou animais na Argentina e no Rio Grande do Sul.
Desde que foi acionado o sistema de alerta, as barreiras em todo o estado foram ampliadas de 23 para 28 postos fixos. Com a ampliação no número de barreiras o número de pessoal também está sendo reforçado. A Claspar, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura, que já coloca à disposição do sistema de vigilância 115 funcionários, agora vai colocar mais 43 funcionários.
Outras doençasSegundo o diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria, Luiz Carlos Hatschbach, esses funcionários ficarão especificamente na área de barreiras, para evitar a entrada de outras doenças de origem animal e vegetal.
Os fiscais que trabalham nas barreiras instaladas nas rodovias BR-116 (Curitiba-São Paulo) e na BR-376 (Curitiba-Joinville) estão fiscalizando a entrada e saída de cargas de origem animal e vegetal e de animais vivos. Antes dos focos de aftosa no Sul do País, os fiscais só paravam os veículos com cargas de origem animal na saída do Estado, disse Hatschbach. Esse trabalho da Secretaria da Agricultura está tendo o apoio da Polícia Rodoviária Federal.
Além do reforço nas fronteiras, a Secretaria da Agricultura vem acionando as sete unidades volantes e os funcionários das 120 Unidades Veterinárias, cujos funcionários também realizam fiscalizações volantes com veículos próprios. O chefe da Divisão Sanitária Animal, Felizberto Baptista destaca que o Paraná não pretende baixar a guarda. Pelo contrário, a fiscalização está bastante ativa em todo o estado para evitar a possibilidade de contaminhação do rebanho paranaense.
PrevençãoBaptista lembrou que quando surgiram os focos de aftosa no Sul do País, a primeira reação da Secretaria da Agricultura do Paraná e do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) foi conservadora e houve a decisão pelo fechamento total das barreiras. A decisão foi estratégica e preventiva, principalmente naquele momento quando as informações ainda eram insuficientes, explicou.
À medida que se fez novas avaliações de risco, as medidas foram readaptadas ao quadro que vinha se configurando quando as informações estavam mais disponíveis. Segundo Baptista, o Ministério da Agricultura assumiu o controle da febre aftosa no Rio Grande do Sul e o estado de Santa Catarina fez um rastreamento completo dos ingressos dos animais provenientes do Sul. Após o período de seis dias dos animais que vieram do RS (período de incubação da doença), as autoridades sanitárias de Santa Catarina se sentiram mais seguras em garantir que o vírus não havia entrado no Estado. Ao mesmo tempo, o governo catarinense reforçou o controle nas barreiras, e a vigilância também vem sendo severa, constatou Baptista.
Manter rigor Com a garantia dessas medidas, o Paraná passou a seguir as normas do Ministério da Agricultura, que permite o trânsito de animais e produtos de origem animal, mas mantém o rigor nas barreiras. Foi permitida a entrada de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos provenientes dos estados do Rio Grande do Sul, para cria, recria, engorda e exposições, exceto da área infectada com o vírus da aftosa. Mas esse trânsito está condicionado a um período de quarentena oficial de 30 dias, que os animais devem ser submetidos na origem com realização de exames de sorologia. Também no destino, os animais ficam mais 14 dias de quarentena e repetem os exames de sangue. Se os animais não tiverem comprovação de vacinação, deverão ser vacinados na quarentena do destino.
A fiscalização nas barreiras estão de olho no cumprimento dessas restrições que tem por objetivo a proteção dos estados do Circuíto Pecuário Centro-Oeste, que conquistaram esse ano a condição de área libre de febre aftosa, com vacinação. Pelo menos nos próximos 30 dias não deverá haver passagem de animais vivos, porque até agora não foram registrados pedidos de trânsito de animais, disse Baptista. Segundo ele, assim que houver um pedido para o transporte de animais provenientes de área não infectada do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, esses animais terão de cumprir a quarentena.
Para o abate imediato, os animais suscetíveis à febre aftosa e os suínos também devem ser submetidos à quarentena de 30 dias na origem, com a realização de dois exames de sorologia. As restrições também abrangem os produtos de origem animal. O ingresso de carne suína está liberado somente se for oriunda de estabelecimentos com SIF - Serviço de Inspeção Federal. Os suínos serão inspecionados por técnico oficial na origem e a carga será lacrada.


