O Paraná abriu oficialmente esta semana a colheita brasileira de algodão. Se no passado o algodão no Estado já foi chamado de ouro branco, hoje é encarado como uma região com potencial para produção com baixo custo e boa margem de lucro. Além de uma opção para rotação de culturas. A área plantada atualmente é de aproximadamente cinco mil hectares, com a produção estimada em 1,2 milhão de arroba.
No início da década de 1990, a área plantada era de mais de 700 mil hectares. Mas problemas com doenças, intempéries climáticas e falta de mão de obra reduziram drasticamente a importância da cotonicultura para o agronegócio paranaense.
Paralelo à solenidade de abertura da colheita, a Cooperativa Central de Algodão (Coceal), de Ibiporã, realizou um tour técnico para mostrar que o algodão ainda é viável. Produtores, empresas, instituições de pesquisas e dirigentes de cooperativas visitaram propriedades em Florestópolis e Assaí, no norte do Estado, e puderam conhecer os avanços técnicos da cultura.
Há quatro anos a Coceal desenvolve um modelo de gestão compartilhada com produtores para incentivar o plantio. ''A Coceal entra com toda a parte técnica, aquisição de insumos e logística de colheita. O produtor participa com a área e os maquinário para manejo'', explica o presidente da Coceal, Almir Montecelli.
O dirigente conta que a renda do produtor varia de acordo com a produtividade. ''Quanto maior o volume colhido, maior a percentagem de lucro líquido. Se houver uma frustração de safra, a cooperativa garante uma renda mínima em contrato para que o produtor, ao menos, pague seus custos'', enfatiza Montecelli.
Com o modelo de gestão compartilhada da Coceal, toda a assistência técnica é feita por uma empresa terceirizada. Ela traz o know-how do cerrado brasileiro, região referência mundial em plantio de algodão. ''Aplicamos um conceito de manejo integrado, em que todo o processo produtivo está interligado, da época do plantio à colheita. Outro fator de destaque é o nível de adubação utilizada, semelhante ao do cerrado, e a utilização de insumos de ponta, graças à parceria que a Coceal tem com as principais empresas do setor'', comenta o engenheiro agrônomo da empresa Cotton, João Francisco Ribeiro.
Segundo Ribeiro, o Paraná tem todas as condições de atingir um nível tecnológico de outras regiões produtoras, como a Bahia, por exemplo. Com uma vantagem muito competitiva. ''Enquanto na Bahia o custo por hectare é de R$ 4 mil, no Paraná esse investimento cai para R$ 2 mil, graças à fertilidade do solo daqui. Assim, mesmo com uma produção menor, consegue-se uma margem de lucro igual ao dos cotonicultores baianos'', argumenta.
Um dos que acreditam na viabilidade do algodão é o produtor Nelson Suguieda, de Assaí. Ele participa do projeto desde o início e está satisfeito com os resultados. No ano passado, conseguiu uma média de 60 arrobas por hectare de lucro líquido. ''Outro aspecto importante do algodão é que faço a rotação de culturas e mantenho os níveis de fertilidade da minha terra, favorecendo outras culturas'', conta Suguieda.

mockup