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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 24/01/2022, 09:18

Paraná lidera produção nacional de mel

Volume alcançou quase 8 mil toneladas em 2020, 15% da produção nacional; Arapoti e Ortigueira são os campeões de produção

PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de janeiro de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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O Paraná segue, pelo segundo ano consecutivo, como o maior produtor nacional de mel. Segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção paranaense alcançou 7.844 toneladas no ano passado, 15,2% do total nacional.

No Brasil, foram produzidas 51.508 toneladas de mel em 2020, 12,5% mais que em 2019 No Brasil, foram produzidas 51.508 toneladas de mel em 2020, 12,5% mais que em 2019
No Brasil, foram produzidas 51.508 toneladas de mel em 2020, 12,5% mais que em 2019 |  Foto: iStock
 

O aumento do volume produzido foi de 8,9% sobre 2019, quando a produção total em território paranaense atingiu 7.203 toneladas.

Esse volume de produção mantém o Paraná em primeiro lugar do ranking brasileiro – o Rio Grande do Sul, que até 2018 foi o primeiro produtor nacional de mel, atingiu o total de 7.467 toneladas.

No Brasil, foram produzidas 51.508 toneladas de mel em 2020, 12,5% mais que em 2019 (45.801 toneladas). O valor da produção nacional alcançou R$ 621,4 milhões no ano passado, sendo que a produção paranaense atingiu R$ 98,6 milhões, riqueza que corresponde a 15,9% do total nacional.

“A produção de mel é uma atividade de reconhecida importância na geração de emprego e renda, fator de diversificação da propriedade rural e que proporciona benefícios sociais, econômicos e ecológicos/ambientais”, destaca o veterinário Roberto de Andrade Silva, analista do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento.

A atividade apícola tem importância significativa na economia agrícola nacional, dos estados e municípios A atividade apícola tem importância significativa na economia agrícola nacional, dos estados e municípios
A atividade apícola tem importância significativa na economia agrícola nacional, dos estados e municípios |  Foto: iStock
 

O técnico acrescenta que a atividade apícola tem importância significativa na economia agrícola nacional, dos estados e municípios. “No entanto, atualmente essa atividade tem sofrido com as adversidades, como desmatamento e poluição ambiental, além de doenças que eventualmente atingem um ou outro apiário”, pontuou.

RANKING

Após o  Paraná no ranking nacional da produção de mel em 2020 estão: 2º - Rio Grande do Sul (7.467 toneladas); 3º - Piauí (5.673 toneladas); 4º - Bahia (5.010 toneladas); 5º - São Paulo (4.489 toneladas); 6º - Santa Catarina (4.306 toneladas); 7º - Minas Gerais (4.103 toneladas) e 8º - Ceará (3.896 toneladas).

Segundo o Censo Agropecuário de 2017, 101.947 estabelecimentos agropecuários têm apicultura (2,1 milhões de colmeias). No Paraná, são 12.941 estabelecimentos que abrigam 260,8 mil colmeias.

No Brasil, entre os cinco municípios que mais se destacaram na produção de mel em nível nacional no ano passado, os dois primeiros do ranking estão no Paraná: Arapoti (PR) – 810 toneladas; Ortigueira (PR) – 720 toneladas; Botucatu (SP) – 675 toneladas; Itatinga (SP) – 600 toneladas; e Campo Alegre de Lourdes (BA) – 592 toneladas.

ARAPOTI

Localizado na região de Ponta Grossa, Arapoti produziu mais de 10% do total de mel no Paraná no ano passado, alcançando 810 toneladas.

Especialista diz que a atividade tem condições de crescer e se desenvolver ainda mais, mas precisa de apoio Especialista diz que a atividade tem condições de crescer e se desenvolver ainda mais, mas precisa de apoio
Especialista diz que a atividade tem condições de crescer e se desenvolver ainda mais, mas precisa de apoio |  Foto: iStock
 

Segundo a Aapicaf (Associação de Apicultores Campos Floridos), cerca de 260 famílias arapotienses sobrevivem da atividade, o que gera uma injeção anual de aproximadamente R$ 16 milhões na economia do município.

“O lucro com a apicultura é injetado quase que em sua totalidade no comércio local, girando a economia do município e favorecendo a geração de emprego e renda”, destaca Paulo Decol Benetti, presidente da Aapicaf. Entre as variedades produzidas no município estão mel de eucalipto, de laranja e silvestre.

Benetti acrescenta que a atividade tem condições de crescer e se desenvolver ainda mais, mas precisa de apoio.

“Precisamos agregar valor à produção, fazer parcerias com o poder público e privado e dar suporte ao projeto de desenvolvimento da cadeia produtiva da apicultura, que vem sendo desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico em parceria com a Universidade Federal do Paraná e com o Sebrae.”

O presidente da associação defende a instituição de uma política pública eficaz para o desenvolvimento da apicultura no município.

“Realizar eventos voltados ao setor, cursos técnicos, sistemas de beneficiamento do produto”, listou. Benetti ainda destaca a parceria entre produtores e empresas de reflorestamento de eucalipto, de maneira que os agricultores utilizam as áreas para captura de enxames e produção de mel.

Uma lei estadual de 2019 instituiu a Rota do Mel da Região Turística do Município de Arapoti, para que o turista tenha contato com a produção e com a gastronomia do produto. No entanto, hoje não há roteiros de turismo rural específicos.

Fundada há 14 anos, a Aapicaf foi reconhecida ano passado como de utilidade pública, título que possibilita à associação pleitear verbas públicas para investimentos em políticas de fomento ao setor.

DESAFIOS

O produtor de mel Daunei Luiz de Oliveira, de Arapoti, está no ramo há mais de 20 anos. Atualmente, ele trabalha com abelhas migratórias, tanto no Paraná como no estado de São Paulo.

Com cerca de 700 colmeias, Daunei projeta até o final deste ano a produção de aproximadamente 10 toneladas de mel.

Hoje, por conta da menor oferta de mel no mercado nacional, o produtor explica que essa condição valorizou o preço do produto. “No ano passado, nesta época, o quilo estava em R$ 10, hoje está R$ 15”, compara.

Apesar da valorização no mercado, Daunei destaca que a lucratividade vem reduzindo. “Hoje, com o custo do combustível e o aumento do número de produtores, não está muito viável entrar para a apicultura. É bastante trabalho para ter um lucro muito pequeno”, conclui. Só em Arapoti, são mais de 200 produtores. 

EXPORTAÇÃO

De janeiro a novembro de 2021, as agroindústrias da apicultura brasileira exportaram 45.508 toneladas de mel in natura, de acordo com o Agrostat Brasil. O volume é 6,6% maior que o obtido em igual período de 2020. O Paraná está na terceira posição entre os exportadores, segundo a Agência Estadual de Notícias, com 9.456 toneladas de mel enviadas ao Exterior, atrás de Piauí e Santa Catarina.

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