Paraná lidera produção de mel no país, aponta IBGE
Participação chega a quase 15%; Arapoti é o segundo maior produtor do país
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sábado, 18 de outubro de 2025
Participação chega a quase 15%; Arapoti é o segundo maior produtor do país
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 
Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que o Paraná lidera a produção de mel no país, com 14,6% de participação nacional no ano passado.
A produção paranaense alcançou 9.823 toneladas em 2024, um crescimento de 15,7% na comparação com o ano anterior, que atingiu 8.488 toneladas. Com o resultado, o Paraná saltou de segundo para primeiro lugar no ranking nacional – em 2023 o topo foi ocupado pelo Piauí.
Segundo o IBGE, o VBP (Valor Bruto de Produção) obtido com a cultura no Paraná alcançou R$ 180,8 milhões no ano passado, uma representatividade de 17,9% do total nacional. O Censo Agropecuário indica 12,4 mil estabelecimentos agropecuários com apicultura no Paraná.
Roberto Carlos Andrade e Silva, veterinário do Deral (Departamento de Economia Rural – órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, considera que ainda há espaço para o Paraná ganhar mercado em nível nacional na produção de mel.
“O Paraná conta com condições favoráveis de clima, vegetação e agricultura, com possibilidade de ampliação da utilização da polinização nos cultivos agrícolas como grãos, frutas e olericultura”, analisa.
Ele acrescenta que o mel é um produto de excelência, tendo o mercado mundial como principal comprador. “Além do mel, a apicultura gera outros produtos, como cera, geleia real, própolis e pólen. O consumo interno ainda é baixo, mas com utilização bastante ampla – indústria de alimentos, cosméticos, medicamentos, bebidas, saúde, dentre outros.”
DESAFIOS
O técnico considera que a atividade apícola tem importância significativa na economia agrícola nacional por parte dos estados e municípios, mas ultimamente tem sofrido com as adversidades e mudanças climáticas. “São estiagens, crises hídricas, utilização intensiva de agrotóxicos, desmatamento, poluição ambiental e doenças que, vira e mexe, atingem um ou outro apiário”, enumera.
Outros desafios dos produtores são adotar boas práticas de produção e lidar com produtos falsificados no mercado. “Esses produtos representam uma ameaça tanto para a saúde pública quanto para a economia local, podendo afetar os produtores legítimos de mel.”
POTENCIAL
Segundo o técnico, o Brasil apresenta características especiais de flora e clima que, aliados à presença da abelha africanizada, lhe conferem um potencial fabuloso para a atividade apícola, ainda pouco explorado.
“A produtividade brasileira ainda é reduzida quando comparada com a produção internacional. A baixa produtividade dos apiários brasileiros se explica pela pouca utilização de recursos tecnológicos na produção”, analisa.
Segundo estudo realizado pela Embrapa Pantanal, a produtividade média anual brasileira é de 15 kg/colmeia/ano. Pelo mundo afora existem produtividades maiores: EUA (32 kg), México (31 kg), Argentina (30 kg a 35 kg) e China (50 kg a 100 kg).
“As principais dificuldades para o desenvolvimento da cadeia produtiva do mel estão na utilização de tecnologias impróprias para a produção, o baixo nível de organização dos produtores, falta de padronização e de boas condições higiênicas do produto, comercialização fragmentada e marketing desestruturado”, lista.
NO TOPO
Localizado entre os Campos Gerais e o Norte Pioneiro, Arapoti está em segundo lugar no ranking nacional na produção de mel em 2024, ficando atrás somente de Santa Luzia de Paruá, no Maranhão. Outro município paranaense de destaque no ranking é Ortigueira, na 5ª colocação.
Segundo o IBGE, a produção em Arapoti alcançou 1.125 toneladas no ano passado. O produtor de mel Everson Fernandes Camargo se dedica à atividade há quase 25 anos no município. A produção teve início com o pai e hoje o mel é produzido por ele e por tios e primos dele. “Comecei a produzir mel pela família, já tínhamos os equipamentos”, relembra.
No ano passado, a produção alcançou 45 toneladas. Neste ano, o volume deverá alcançar 50 toneladas até o final do ano.
Apesar do aumento na produção, Camargo diz que o momento atual financeiro não é favorável por conta da taxação imposta pelos Estados Unidos. “Isso barateou o mel. Hoje o quilo está R$ 14, mas era para estar uns R$ 17”, compara.
Entre os maiores desafios das atividades, está a prospecção de novas áreas em Arapoti para instalar os apiários.
“Aqui em Arapoti a produção é grande porque os apicultores fazem migração dos apiários, não são fixos. Sempre vamos atrás da florada e, para isso, conversamos com os donos de propriedades”, explica.
Hoje o mel orgânico produzido é comercializado 100% para três empresas: indústria Prodapys, em Araranguá (SC); Minamel Agroindústria, em Maringá (Noroeste), e a Apidouro, em Bebedouro (SP). Essas empresas destinam o mel para exportação.


