Paraná lidera geração de energia renovável no campo
Relatório da Aneel aponta que potência instalada ultrapassou 203 mil kW no ano passado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 2025
Relatório da Aneel aponta que potência instalada ultrapassou 203 mil kW no ano passado
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 
O Paraná liderou a geração de energia renovável (solar e biogás) nas propriedades rurais em 2024. É o que atesta relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Segundo a agência, a potência instalada alcançou 205,8 mil kW no ano passado na zona rural paranaense, com 8.972 usinas instaladas e 13.075 unidades consumidoras. Esse total representa 19,3% desse tipo de geração em relação a todo o país.
Em segundo lugar ficou Minas Gerais, com 125,1 mil kW de potência instalada. Lembrando que Minas tem 853 municípios e extensão de 586,5 mil km². O Paraná, por sua vez, tem 399 municípios e extensão territorial de 199,3 mil km².
O engenheiro agrônomo Herlon de Almeida, coordenador de Energias Renováveis no IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) Paraná, lembra que o território paranaense possui a menor área geográfica entre os quatro Estados que lideram a geração distribuída no país. São Paulo possui 24% mais território, Minas Gerais possui praticamente três vezes o tamanho do Paraná e o Mato Grosso é quatro vezes e meia maior.
“Além de lideramos em 2024, também no acumulado dos últimos três anos o Paraná mantém o primeiro lugar em potência instalada por unidade consumidora: temos a média de 15,7 kW, Minas Gerais tem 14,85 kW, Mato Grosso possui 12,14 kW e São Paulo, 9,6 kW.”
Segundo o coordenador, esse indicador é o que verdadeiramente importa, pois demonstra que o Paraná priorizou as atividades rurais que possuem maior demanda de energia, que são a produção de proteína animal e as agroindústrias.
“A razão disso é termos uma política pública focada no estímulo à geração própria, que é o RenovaPR. (Paraná Energia Rural Renovável)”, pontua. O programa subsidia taxas de juros de financiamento junto aos agricultores.
Desde o início do programa, em agosto de 2021, o governo já investiu mais de R$ 250 milhões, subvencionando taxas de juros nos financiamentos do crédito rural.
“Essa subvenção auxilia muito na redução do payback, ou retorno sobre o capital investido”, analisa. No início do programa, o retorno médio era de 48 meses. Agora, caiu para 42 meses. “Mas há projetos com 36 meses e há com quase 60 meses, cada caso é um caso. O que interessa é que quem financia – e tem 100% do custo do projeto coberto no financiamento, isto é, o produtor não põe a mão no bolso – recupera o investimento antes mesmo de terminar de pagar o banco.”
ATIVIDADES
Em atividades mais eletrointensivas (avicultura e pescado de água doce, por exemplo), a energia chega a representar 1/3 do custo de produção.
“Hoje, os que realizaram bons projetos de geração própria têm um custo de energia entre 7% e 10%. Os custos variam conforme o sistema de produção, mas a realidade é que o RenovaPR salvou os custos das cadeias de proteína animal e agroindústrias, especialmente na avicultura, ainda mais com esse verão intenso e calor acima da média histórica.”
BIOGÁS
Há quase dois anos, o produtor rural Emílio Angst implantou o sistema de biogás na sua propriedade de três hectares em Toledo (Oeste). “O objetivo principal foi eliminar os passivos ambientais”, destaca.
Desde então, o tratamento dos dejetos fez com que a produção de suínos triplicasse para 7,8 mil cabeças – a sustentabilidade da operação abriu caminho para a conquista de uma nova licença ambiental, que possibilitou que ele ampliasse a criação.
O biodigestor transforma os dejetos em adubo (utilizado na lavoura) e em biometano veicular, gás que é comercializado para terceiros, que utilizam o biocombustível para abastecer caminhões e carros. Além disso, o produtor acabou de instalar uma estação de tratamento de dejetos que resulta em água de reúso.
O QUE FAZER
Produtores rurais que pretendem gerar energia própria precisam pegar a última fatura de energia e levar a uma empresa prestadora de serviços (solar ou biogás), entre as 750 empresas credenciadas no Paraná. Com o orçamento, o agente financeiro escolhido e a linha de crédito em mãos, o próximo passo é ir ao escritório municipal do IDR Paraná. Técnicos do instituto analisam o projeto e viabilizam a subvenção.


