O Paraná liderou a geração de energia renovável (solar e biogás) nas propriedades rurais em 2024. É o que atesta relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Segundo a agência, a potência instalada alcançou 205,8 mil kW no ano passado na zona rural paranaense, com 8.972 usinas instaladas e 13.075 unidades consumidoras. Esse total representa 19,3% desse tipo de geração em relação a todo o país.

Em segundo lugar ficou Minas Gerais, com 125,1 mil kW de potência instalada. Lembrando que Minas tem 853 municípios e extensão de 586,5 mil km². O Paraná, por sua vez, tem 399 municípios e extensão territorial de 199,3 mil km².

O engenheiro agrônomo Herlon de Almeida, coordenador de Energias Renováveis no IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) Paraná, lembra que o território paranaense possui a menor área geográfica entre os quatro Estados que lideram a geração distribuída no país. São Paulo possui 24% mais território, Minas Gerais possui praticamente três vezes o tamanho do Paraná e o Mato Grosso é quatro vezes e meia maior.

“Além de lideramos em 2024, também no acumulado dos últimos três anos o Paraná mantém o primeiro lugar em potência instalada por unidade consumidora: temos a média de 15,7 kW, Minas Gerais tem 14,85 kW, Mato Grosso possui 12,14 kW e São Paulo, 9,6 kW.”

Segundo o coordenador, esse indicador é o que verdadeiramente importa, pois demonstra que o Paraná priorizou as atividades rurais que possuem maior demanda de energia, que são a produção de proteína animal e as agroindústrias.

“A razão disso é termos uma política pública focada no estímulo à geração própria, que é o RenovaPR. (Paraná Energia Rural Renovável)”, pontua. O programa subsidia taxas de juros de financiamento junto aos agricultores.

Desde o início do programa, em agosto de 2021, o governo já investiu mais de R$ 250 milhões, subvencionando taxas de juros nos financiamentos do crédito rural.

“Essa subvenção auxilia muito na redução do payback, ou retorno sobre o capital investido”, analisa. No início do programa, o retorno médio era de 48 meses. Agora, caiu para 42 meses. “Mas há projetos com 36 meses e há com quase 60 meses, cada caso é um caso. O que interessa é que quem financia – e tem 100% do custo do projeto coberto no financiamento, isto é, o produtor não põe a mão no bolso – recupera o investimento antes mesmo de terminar de pagar o banco.”

ATIVIDADES

Em atividades mais eletrointensivas (avicultura e pescado de água doce, por exemplo), a energia chega a representar 1/3 do custo de produção.

“Hoje, os que realizaram bons projetos de geração própria têm um custo de energia entre 7% e 10%. Os custos variam conforme o sistema de produção, mas a realidade é que o RenovaPR salvou os custos das cadeias de proteína animal e agroindústrias, especialmente na avicultura, ainda mais com esse verão intenso e calor acima da média histórica.”

BIOGÁS

Há quase dois anos, o produtor rural Emílio Angst implantou o sistema de biogás na sua propriedade de três hectares em Toledo (Oeste). “O objetivo principal foi eliminar os passivos ambientais”, destaca.

Desde então, o tratamento dos dejetos fez com que a produção de suínos triplicasse para 7,8 mil cabeças – a sustentabilidade da operação abriu caminho para a conquista de uma nova licença ambiental, que possibilitou que ele ampliasse a criação.

O biodigestor transforma os dejetos em adubo (utilizado na lavoura) e em biometano veicular, gás que é comercializado para terceiros, que utilizam o biocombustível para abastecer caminhões e carros. Além disso, o produtor acabou de instalar uma estação de tratamento de dejetos que resulta em água de reúso.

O QUE FAZER

Produtores rurais que pretendem gerar energia própria precisam pegar a última fatura de energia e levar a uma empresa prestadora de serviços (solar ou biogás), entre as 750 empresas credenciadas no Paraná. Com o orçamento, o agente financeiro escolhido e a linha de crédito em mãos, o próximo passo é ir ao escritório municipal do IDR Paraná. Técnicos do instituto analisam o projeto e viabilizam a subvenção.

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