O Paraná foi o estado brasileiro que mais abateu frangos em 2024, com 2,2 bilhões de cabeças em 2024. Dados são da pesquisa realizada por técnicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os produtores paranaenses continuaram liderando amplamente o ranking dos estados no abate de frangos no ano passado, com 34,2% de participação nacional, seguidos por Santa Catarina (13,8%) e Rio Grande do Sul (11,4%).

O volume expressivo da produção no Paraná fez com que o estado superasse em quase 150% o volume de cabeças abatidas de frango no ano passado em comparação ao segundo colocado – Santa Catarina, que abateu 891 milhões de cabeças.

Entre 2023 e 2024, o Paraná foi o estado brasileiro com maior crescimento no número de aves abatidas, com 53,2 milhões de cabeças a mais no ano passado em comparação ao ano anterior. Na sequência vieram Santa Catarina (+51,9 milhões) e São Paulo (+40,1 milhões de cabeças).

MOTIVOS

O médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural) – órgão da Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) –, destaca que alguns fatores explicam a ampla participação do território paranaense no abate de frangos.

“Forte cooperativismo e sistema de integração entre produtores e empresas, especialização, investimento em ciência e tecnologia, extensão e assistência técnica”, lista.

Sobre o Paraná ser o estado com maior crescimento no número de aves abatidas entre 2023 e 2024, o técnico pontua que, além da estruturação do setor, existe no estado uma fartura de insumos, como farelo de soja e milho.

Apesar do protagonismo, o técnico destaca que existem desafios enfrentados pelos produtores de frango no Paraná, como sanidade animal, mudanças climáticas, custos, insumos acessíveis, inovação tecnológica e lidar com o mercado (oferta e demanda).

“Sempre há espaço para crescimento da atividade, que depende essencialmente do mercado, especialmente da demanda, tanto interna quanto externa”, conclui.

Com propriedade em Cascavel (Oeste), o criador de frangos Selson Inacio Wagner se dedica à avicultura há 19 anos.

No ano passado, ele contabilizou o abate de 556 mil aves. Neste ano, até o momento, o número de abates passou de 611 mil nos quatro aviários, que somam 7,5 mil m² de área.

Apesar do aumento de cerca de 10% na produção, o avicultor argumenta que 2025 não foi melhor do que 2024 por alguns motivos, como as exportações refreadas, problemas na sanidade das aves (aumento de doenças de difícil diagnóstico, com mortalidade muito alta, com destaque para a artrite) e escassez de mão de obra.

Hoje, toda a produção de frangos da propriedade é comercializada para a integradora BRF em Toledo (Oeste).

Entre os aparatos tecnológicos para alcançar o máximo na quantidade e qualidade de produção, há equipamentos para refrigerar o ambiente interno, entradas laterais nas paredes para renovar a entrada do ar e fornos para aquecer pintinhos – eles precisam de aquecimento artificial porque não conseguem regular eficientemente a própria temperatura corporal nas primeiras semanas de vida.

Outro destaque é a utilização de exaustores para ventilação interna e para retirar o CO² e a amônia dos aviários. Essa medida visa garantir o bem-estar, a saúde e o desempenho produtivo das aves, além de proteger a saúde dos trabalhadores e minimizar o impacto ambiental.

A tecnologia ainda está presente na alimentação dos frangos, visto que a oferta de ração e de água é toda automatizada.

Os telhados dos aviários, por sua vez, contam com 800 placas solares para produção da própria energia consumida na produção.

“Isso vem a calhar com a redução de custos, porque hoje os maiores gargalos da avicultura são exatamente a geração de energia e o material inflamável para aquecer os aviários. São os dois itens que derrubam a rentabilidade do produtor”, destaca Wagner.

Segundo o Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná), a avicultura comercial está presente em mais de 8,2 mil propriedades rurais no estado, em 332 dos 399 municípios (83%). Ao todo, há 18.484 aviários cadastrados.

O setor avícola gera cerca de 95 mil empregos diretos e 1,5 milhão de empregos indiretos no Paraná.

Em 2024, as indústrias avícolas do Paraná foram responsáveis por 34,2% da carne de frango produzida no Brasil e por 42,1% da exportação nacional, alcançando 150 países.

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