Paraná investe no plantio de trigo de qualidade
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sexta-feira, 08 de maio de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
O investimento em novas variedades tem proporcionado uma melhoria na qualidade do trigo produzido no Paraná nas últimas safras e otimizado a produção industrial do setor. Por anos, os moinhos paranaenses importavam boa parte matéria-prima da Argentina, grande produtor de trigo tipo pão. Hoje, a maior fatia da farinha de trigo produzida no Estado vem do cereal de lavouras que estão a poucos quilômetros das indústrias moageiras. Com o avanço tecnológico no campo, o uso de cultivares de melhor qualidade pode elevar a renda dos triticultores e facilitar a rotina das indústrias.
Neste ano, os 80 moinhos instalados no Paraná deverão consumir 2,8 milhões de toneladas de trigo. Desse total, apenas 10% será importado. Normalmente, segundo Marcelo Volsnica, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Paraná (Sinditrigo), o volume importado é de 15%. No ano passado, os moinhos paranaenses consumiram 2,5 milhões de toneladas de trigo. Cerca de 75% desse volume é utilizado para a produção de farinha, destinada para a fabricação de pães, bolachas e biscoitos. Os 25% restantes são destinados para ração animal.
O presidente do Sinditrigo avalia que o Paraná sempre cultivou um bom trigo. O problema, segundo ele, era na hora de entregar a produção para os moinhos, já que muitos agricultores misturavam trigo de diferentes qualidades em um mesmo caminhão. Hoje, assegura Volsnica, o triticultor já sabe da importância de entregar um material segregado e de alta qualidade. Com isso, as indústrias têm conseguido bons materiais para a produção de farinha de trigo, principalmente aquela destinada para a panificação, que precisa de matéria-prima de alta qualidade. "A indústria necessita de mais trigo tipo pão", completa.
Se o clima ajudar - se não houver geadas ou períodos muito longos de estiagem -, a safra 2014/15 do cereal deve ser positiva no Estado, podendo até mesmo bater um novo recorde. Para esta temporada é estimada uma colheita de 4,07 milhões de toneladas do grão, ante 3,79 milhões de toneladas produzidas no ciclo 2013/14.
No campo
Antonio Francovig Junior, produtor na região de Tamarana (Norte), começou o plantio do trigo esta semana. Ele espera colher no atual ciclo 54,16 sacas por hectare em uma área semeada de 57,6 hectares. Mesmo com as dificuldades em conseguir um bom preço pela saca do cereal nas últimas safras, Francovig Junior conta que sempre foi orientado pela cooperativa Integrada a investir na qualidade da lavoura. Neste ano, ele já começou a plantar a BRS Gralha Azul, variedade de trigo classe pão/melhorador desenvolvido pela Embrapa. (veja box)
O triticultor afirma que além de ofertar um produto de qualidade, o uso de boas variedades ajuda na prevenção de ataques de pragas e doenças. E, mesmo com o uso de novas tecnologias, Francovig Junior alerta que não está livre das moléstias. "Tivemos problemas com doenças no ano passado", lamenta o agricultor. A Brusone, popularmente chamada de branqueamento da espiga, foi uma das doenças que atacou a lavoura do produtor na safra 2014. A doença é causada por um fungo que prejudica o desenvolvimento da planta. A partir de agora, o triticultor torce para que não haja muita chuva no decorrer deste ciclo, condição que favorece o desenvolvimento de diversas doenças.
Novidade
Francisco Tenório Pereira, gerente do escritório de Passo Fundo (RS) da Embrapa Produtos e Mercado, avalia que há muitas variedades de alto potencial produtivo já disponíveis no mercado e que atendem às necessidades do setor industrial. Uma dessas variedades é a BRS Parrudo, cultivar indicada para as regiões mais frias do Paraná, como Guarapuava, Ponta Grossa e Pato Branco. Pereira afirma que essa variedade é resistente a diversas doenças foliares.


