Luly Turquino e o pesquisador Rafael Soares: a ferrugem-asiática é bastante agressiva e causa muitos prejuízos à soja
Luly Turquino e o pesquisador Rafael Soares: a ferrugem-asiática é bastante agressiva e causa muitos prejuízos à soja | Foto: Divulgação

Teve início no dia 10 de junho o vazio sanitário da soja no Paraná. Em um período de 60 dias não se pode semear ou manter plantas da oleaginosa vivas no campo. A medida tem como objetivo reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi). O tema é pauta do próximo programa Multi Agro, que vai ao ar neste domingo (16).

A ferrugem-asiática causa desfolha precoce e impede a completa formação do grão, causando redução na produtividade. A doença foi identificada no Brasil pela primeira vez em 2001 e desde então vem sendo monitorada. De acordo com Rafael Soares, pesquisador da Embrapa Soja, ela é bastante agressiva. “Ela tem a característica de evoluir de forma rápida. Por isso, causa bastante prejuízo na soja.”

O manejo da ferrugem-asiática é feito por um conjunto de ferramentas. A aplicação de fungicidas é a principal delas. O escape, que é semear o mais cedo possível, dentro da época recomendada, também é uma maneira de driblar a doença, já que a ocorrência mais severa acontece no fim do ciclo. Além, também, do uso de cultivares mais resistentes.

O vazio sanitário é, contudo, a principal maneira de controle. Ele é feito no período da entressafra, em que normalmente não se planta soja. “É o período que não prejudica o produtor e que, ao mesmo tempo, ajuda a baixar a população do fungo no ambiente”, explica o pesquisador.

Para se desenvolver, o fungo precisa que a planta esteja viva. “Têm estudos que falam que os esporos, que são as suas estruturas de resistência, sobrevivem no ambiente em torno de 60 dias.” Então o período de no mínimo 60 dias é fundamental para ter a segurança de que os esporos morram.

Cada estado do país desenvolve suas instruções normativas para o controle da doença. “No Paraná, o vazio sanitário já ocorre desde 2007. O primeiro estado a adotar essas medidas foi o Mato Grosso, seguido de Goiás, em 2006”, diz. Atualmente apenas o Rio Grande do Sul não segue esse padrão. Isso ocorre por conta do clima frio e geadas, que acabam eliminando naturalmente a soja. O fungo causador da ferrugem-asiática possui mais de cem hospedeiros nos quais acaba sobrevivendo. Contudo é apenas na soja que ele consegue se reproduzir. Por isso a importância em fazer o manejo correto.

Uma estimativa feita pela Embrapa Soja aponta que o custo médio para o controle da ferrugem-asiática é de aproximadamente US$ 2,8 bilhões por safra. “A necessidade de uso dos fungicidas é uma das principais causas desse valor. Existe uma perda de produtividade também, mas é mais difícil de ser calculada”, afirma.

A Embrapa coordena em todo o País os chamados “ensaios em rede”. “Eles têm como objetivo verificar como está a eficiência dos fungicidas. Nós também temos um programa de melhoramento que desenvolve cultivares resistentes à ferrugem.” Segundo o pesquisador, há no mercado três materiais com mais resistência à doença produzidos pela empresa de pesquisa.

A fiscalização do vazio sanitário é feita pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná). “Apesar de a Adapar ser a responsável, não existe condição de fiscalizar todas as propriedades do Estado. Afinal, são quase cinco milhões de hectares de soja. Então, depende muito da consciência de cada agricultor.” alerta Soares.

O Multi Agro vai ao ar neste domingo (16), às 8 da manhã, na MultiTV (canais 20 e 520 da Net). Pode ser acompanhado também em tempo real pelo site (www.multitvcidades.com.br).

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