Paraná ganha destaque no mercado de especiais
Qualidade é sempre vantajosa em qualquer atividade e o Paraná vem mostrando nos últimos anos que tem potencial para disputar o mercado de cafés especiais. A avaliação é de Paulo Franzini, técnico da Seab, em Apucarana, e um dos responsáveis pelo concurso no estado.
O resultado nos certames desde 2004, quando o Paraná começou a participar de forma organizada - o estado tinha concorrido no ano de 2000 - demonstra o potencial dos cafeicultores. ''Na categoria natural mostramos que o nosso café é de excelente qualidade'', afirma Franzini.
Segundo ele, em 2005 os cafés paranaenses obtiveram colocações intermediárias no concurso nacional; em 2006, o Paraná alcançou o primeiro lugar do café natural e a terceira colocação no cereja descascado. No ano passado, obteve a segunda colocação no café natural e repetiu o desempenho do cereja descascado com o terceiro lugar.
Nesta safra, a expectativa também é boa. De acordo com o técnico, apesar dos problemas enfrentados pelos produtores, será possível obter a classificação de café de qualidade em 40% do produto colhido, índice que chegou a 60% em 2007. Entre as dificuldades, Franzini cita a ocorrência anormal de chuvas em agosto, que interferiu na colheita.
Normalmente a cultura não iria sofrer os efeitos da chuva fora de hora. Porém, neste ano a falta de mão-de-obra e o volume maior de produção causaram a ampliação do período de colheita até outubro. Segundo o técnico, o Paraná deve colher em 2008 cerca de 2,5 milhões de sacas, bem acima das 1,6 milhão de sacas do ano passado, característica da bienalidade - a cada dois anos registra-se uma safra melhor.
Para Franzini, a boa produção paranaense é resultado do modelo tecnológico adotado no estado, onde metade da área é ocupada por café adensado. Ele acrescenta que a busca pelo café de qualidade tem motivado os produtores. ''Sempre se paga pela qualidade'', afirma. ''O concurso valoriza e insere o Paraná no marketing do produto no país'', complementa.
Para enfrentar as dificuldades com disponibilidade de trabalhadores, os produtores podem lançar mão de equipamentos para derriça e enleiramento. De acordo com Frnzini, este foi o foco do Encontro Estadual do Café, realizado recentemente. ''Não se fala em mecanização com a entrada de tratores na lavoura, mas sim em maquinação co café, que é a utilização de equipamentos para a colheita'', explica.
O café, no entanto, sofre interferências alheias à atividade. A despeito do aumento do consumo no Brasil e exterior e dos baixos estoques mundiais, o preço está caindo. ''Como ocorre com outras commodities, o café atrai investidores de outros setores, que acabam definindo a movimentação do mercado'', afirma. (R.C.)





