Paraná exporta 40% da carne de frango do país
Participação em nível nacional pode aumentar em 2026, visto que embargo da China caiu
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Participação em nível nacional pode aumentar em 2026, visto que embargo da China caiu
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O Paraná é o maior exportador de frango do país, com 1,8 milhão de toneladas vendidas para o exterior em 2025, que resultaram em uma receita de 3,3 bilhões de dólares.
Os dados são da Agrostat Brasil, ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária que divulga estatísticas de exportação e importação de produtos agropecuários.
O volume exportado pelo agro paranaense representa mais de 40% das vendas externas de frango pelo Brasil no ano passado – o país exportou 4,5 milhões de toneladas, que geraram um faturamento de 8,6 bilhões de dólares.
“O Paraná (1º produtor e 1º exportador), nos 12 meses de 2025, continuou destacando-se no contexto nacional, com participação de 40,8% do volume total exportado pelo país e com 38,9% da receita cambial”, destaca o médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).
O Paraná concentra um número elevado de plantas habilitadas a exportar, em especial cooperativas e agroindústrias integradas que operam no Oeste, Sudoeste e Campos Gerais.
Entre os principais players exportadores com plantas no Paraná estão Lar Cooperativa Agroindustrial, Aurora Alimentos (Aurora Coop), C.Vale, Copacol, Coopavel, BRF S.A. (marcas Sadia e Perdigão), JBS/Seara, Plusval (Levo Alimentos) e Dip Frangos (Diplomata).
“Além dessas, outras empresas compõem e participam direta e indiretamente do setor de avicultura do estado, que conta com um parque industrial composto por cerca de 36 frigoríficos de abate e beneficiamento”, destaca Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep.
RANKING
Segundo o levantamento do Ministério da Agricultura, os outros quatro principais exportadores de frango ficaram nas seguintes posições em 2025 (volume e faturamento): 2º: Santa Catarina (1,2 milhão de toneladas e 2,4 bilhões de dólares); 3º: Rio Grande do Sul (686 mil toneladas e 1,2 bilhão de dólares); 4º: São Paulo (330 mil toneladas e 545 milhões de dólares); e 5º: Goiás (272 mil toneladas e 518 milhões de dólares).
Os principais destinos da carne de frango brasileira exportada em 2025 foram Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita, África do Sul, China e México.
O destaque das exportações foi da carne de frango na forma “in natura” (inteiros e cortes), com 88,5% de participação no total exportado.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, responsável por cerca de 35% do mercado global.
Entre 2024 e 2025, o preço médio exportado sofreu um pequeno recuo de 2,2% (2025: 1.777 dólares por tonelada; 2024: 1.817 dólares por tonelada).
CHINA
O governo chinês retirou as restrições impostas à exportação de carne de frango do Brasil em novembro de 2025. A decisão, de efeito imediato, foi tomada com base nos resultados da análise de risco conduzida pelas autoridades chinesas.
A suspensão temporária das exportações havia sido adotada pela China em maio de 2025, após a confirmação do primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial localizada no município de Montenegro (RS).
A China era o principal importador de carne de frango do Brasil antes do embargo, liderando as compras em volume e receita. Entre janeiro e maio de 2025, o país importou cerca de 228 mil toneladas de frango brasileiro, gerando aproximadamente R$ 910 milhões em receitas, antes da suspensão.
“A China era um dos principais destinos da carne de frango paranaense. Os dados oficiais destacam explicitamente a importância da reabertura chinesa para reforçar a liderança nas exportações de carne de frango, o que indica peso significativo na pauta estadual, ainda que o Estado mantenha forte diversificação (Emirados Árabes, Arábia Saudita, entre outros)”, analisa a técnica do Sistema Faep.
Ela destaca que o embargo reduziu o potencial de crescimento das exportações em 2025. “Sem ele, tanto o Paraná quanto o Brasil tenderiam a registrar volumes e receitas ainda mais elevados.”
Segundo Costa, existem indicativos objetivos de potencial para o Paraná ganhar ainda mais mercado nas exportações de frango em 2026, como a infraestrutura portuária diferenciada, escala produtiva aliada à organização cooperativa, reabertura sanitária e diversificação de mercados.
“Em janeiro de 2026, os portos do Paraná concentraram 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil, reforçando o papel de hub logístico nacional”, destaca.
Além disso, o Paraná é líder nacional em produção de frangos (34,2% dos abates) e conta com forte presença de cooperativas e grandes agroindústrias integradas, que já operam fortemente voltadas à exportação.
“A retirada das restrições chinesas em novembro de 2025 elimina um entrave relevante e abre espaço para retomada e ampliação de volumes em 2026, inclusive via renegociação de contratos de longo prazo. Ao mesmo tempo, o Paraná atende mercados diversificados com logística consolidada, o que reduz dependência de um único destino”, conclui a técnica do Sistema Faep.


