O Paraná é o maior exportador de frango do país, com 1,8 milhão de toneladas vendidas para o exterior em 2025, que resultaram em uma receita de 3,3 bilhões de dólares.

Os dados são da Agrostat Brasil, ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária que divulga estatísticas de exportação e importação de produtos agropecuários.

O volume exportado pelo agro paranaense representa mais de 40% das vendas externas de frango pelo Brasil no ano passado – o país exportou 4,5 milhões de toneladas, que geraram um faturamento de 8,6 bilhões de dólares.

“O Paraná (1º produtor e 1º exportador), nos 12 meses de 2025, continuou destacando-se no contexto nacional, com participação de 40,8% do volume total exportado pelo país e com 38,9% da receita cambial”, destaca o médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

O Paraná concentra um número elevado de plantas habilitadas a exportar, em especial cooperativas e agroindústrias integradas que operam no Oeste, Sudoeste e Campos Gerais.

Entre os principais players exportadores com plantas no Paraná estão Lar Cooperativa Agroindustrial, Aurora Alimentos (Aurora Coop), C.Vale, Copacol, Coopavel, BRF S.A. (marcas Sadia e Perdigão), JBS/Seara, Plusval (Levo Alimentos) e Dip Frangos (Diplomata).

“Além dessas, outras empresas compõem e participam direta e indiretamente do setor de avicultura do estado, que conta com um parque industrial composto por cerca de 36 frigoríficos de abate e beneficiamento”, destaca Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep.

RANKING

Segundo o levantamento do Ministério da Agricultura, os outros quatro principais exportadores de frango ficaram nas seguintes posições em 2025 (volume e faturamento): 2º: Santa Catarina (1,2 milhão de toneladas e 2,4 bilhões de dólares); 3º: Rio Grande do Sul (686 mil toneladas e 1,2 bilhão de dólares); 4º: São Paulo (330 mil toneladas e 545 milhões de dólares); e 5º: Goiás (272 mil toneladas e 518 milhões de dólares).

Os principais destinos da carne de frango brasileira exportada em 2025 foram Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita, África do Sul, China e México.

O destaque das exportações foi da carne de frango na forma “in natura” (inteiros e cortes), com 88,5% de participação no total exportado.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, responsável por cerca de 35% do mercado global.

Entre 2024 e 2025, o preço médio exportado sofreu um pequeno recuo de 2,2% (2025: 1.777 dólares por tonelada; 2024: 1.817 dólares por tonelada).

CHINA

O governo chinês retirou as restrições impostas à exportação de carne de frango do Brasil em novembro de 2025. A decisão, de efeito imediato, foi tomada com base nos resultados da análise de risco conduzida pelas autoridades chinesas.

A suspensão temporária das exportações havia sido adotada pela China em maio de 2025, após a confirmação do primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial localizada no município de Montenegro (RS).

A China era o principal importador de carne de frango do Brasil antes do embargo, liderando as compras em volume e receita. Entre janeiro e maio de 2025, o país importou cerca de 228 mil toneladas de frango brasileiro, gerando aproximadamente R$ 910 milhões em receitas, antes da suspensão.

“A China era um dos principais destinos da carne de frango paranaense. Os dados oficiais destacam explicitamente a importância da reabertura chinesa para reforçar a liderança nas exportações de carne de frango, o que indica peso significativo na pauta estadual, ainda que o Estado mantenha forte diversificação (Emirados Árabes, Arábia Saudita, entre outros)”, analisa a técnica do Sistema Faep.

Ela destaca que o embargo reduziu o potencial de crescimento das exportações em 2025. “Sem ele, tanto o Paraná quanto o Brasil tenderiam a registrar volumes e receitas ainda mais elevados.”

Segundo Costa, existem indicativos objetivos de potencial para o Paraná ganhar ainda mais mercado nas exportações de frango em 2026, como a infraestrutura portuária diferenciada, escala produtiva aliada à organização cooperativa, reabertura sanitária e diversificação de mercados.

“Em janeiro de 2026, os portos do Paraná concentraram 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil, reforçando o papel de hub logístico nacional”, destaca.

Além disso, o Paraná é líder nacional em produção de frangos (34,2% dos abates) e conta com forte presença de cooperativas e grandes agroindústrias integradas, que já operam fortemente voltadas à exportação.

“A retirada das restrições chinesas em novembro de 2025 elimina um entrave relevante e abre espaço para retomada e ampliação de volumes em 2026, inclusive via renegociação de contratos de longo prazo. Ao mesmo tempo, o Paraná atende mercados diversificados com logística consolidada, o que reduz dependência de um único destino”, conclui a técnica do Sistema Faep.

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