Água é o que não falta no Paraná. Pelo menos não para a agricultura. Mas apesar de não competir por recursos hídricos, a atividade é responsável por grande parte da poluição de aquíferos e rios. E são as práticas destrutivas da agricultura empresarial que comprometem a qualidade do solo e, consequentemente, a resistência das culturas à seca.
O engenheiro agrônomo Rogério Teixeira de Faria, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que as perdas de água no Paraná são pequenas, pois a incidência de chuvas supera a evaporação. Segundo ele, o Estado tem dois climas distintos. No Sul, o clima é temperado, com invernos mais úmidos que os da região Norte, onde o clima subtropical gera pequena deficiência hídrica na época mais fria do ano.
Fenômenos meteorológicos como El NiÀo e La NiÀa também influenciam anos mais secos ou mais úmidos. ''Em geral, o El NiÀo traz chuva e a La NiÀa traz seca para o Paraná'', informa. Este ano, já foi confirmada a presença do fenômeno La NiÀa no País, o qual ocasionou o veranico fora de hora que comprometeu lavouras no início do ano. ''Essa variabilidade climática influencia, de forma negativa, a agricultura'', afirma o pesquisador.
Segundo ele, a necessidade de plantar dois cultivos anuais para manter alta a margem de lucro com a atividade tem levado os produtores a explorar o solo além de sua capacidade. ''A monocultura é que mantém pragas, doenças e ervas daninhas nas lavouras, além de contribuir para a compactação e perda de matéria orgânica do solo'', diz o agrônomo. ''Se a raiz não penetra no solo, o volume disponível de água para a cultura é menor e a planta sentirá mais os efeitos da seca'', completa.
As técnicas de plantio direto e rotação de culturas são as principais alternativas para aliviar o estresse do solo, além de contribuir para o aumento da produtividade, sugere o pesquisador do Iapar. No entanto, como o cenário econômico dita o que o produtor deve cultivar, a rotação nem sempre envolve plantas de cobertura que favorecem a adubação verde. ''O que se vê é a troca da soja pelo milho apenas'', assinala Faria.
Segundo ele, o produtor precisa aprender a pensar a agricultura a longo prazo. ''A diversificação da produção não só contribui para o meio ambiente como garante menor risco econômico para a atividade agrícola'', argumenta.
Entre os principais poluidores, estão os horticultores que, segundo Faria, baseiam a produção no uso intensivo de agrotóxicos. São eles também os maiores usuários de sistemas de irrigação. ''No Paraná, o uso da irrigação limita-se aos cinturões verdes localizados junto às grandes cidades, o que corresponde a menos de 1% de toda a área agricultável do Estado'', cita.
Nesses locais, o uso intensivo de agrotóxicos polui os mananciais que abastecem as cidades e nem mesmo as rígidas leis ambientais são capazes de controlar a poluição. ''Quanto maior a urbanização pior é a qualidade da água'', compara Faria.

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