O Paraná é o terceiro estado brasileiro com a maior criação de coelhos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O instituto aponta que Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram quase 60% da produção nacional de coelhos. RS, SC e PR respondem, respectivamente, por 29%, 19% e 12% da produção nacional.

Segundo relatório do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), a criação de coelhos gerou uma renda bruta de R$ 1,8 milhão em 2024 no Paraná, proveniente de um plantel composto por 24.170 animais e com o abate de 145,6 mil kg de carne.

Nesse ano, a criação de coelhos se concentrou prioritariamente em Foz do Iguaçu, extremo oeste do Paraná, respondendo por 83% da produção estadual. A produção alcançou 17 mil cabeças que geraram 55 mil kg de carne.

Na sequência vêm dois municípios no sudoeste do Paraná: Francisco Beltrão, com a produção de 1.150 cabeças e 2,1 mil kg de carne (2,9% de participação estadual), seguido de Salgado Filho, com 700 cabeças e 1,2 mil kg de carne de coelho (1,6% de participação).

A criação de coelhos é denominada de cunicultura. A carne apresenta um alto valor energético e também baixos teores de colesterol. A carne de coelho tem 28% de proteína e 10,2% de gordura. As outras carnes possuem os seguintes teores de proteína e gordura, respectivamente: frango (20,8% e 11%), boi (16,3% e 28%) e porco (11,9% e 45%).

“Os coelhos podem produzir grandes quantidades de carne rica em proteína em menos tempo que animais de outras espécies exploradas zootecnicamente”, explica o médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral. Ele explica que o abate de coelhos pode ser feito desde os 70 dias de idade, quando atinge peso por volta de 1,8 kg.

“A maioria dos criadores de coelhos desenvolve a atividade paralelamente à outra principal, com pequenos plantéis (30 a 50 fêmeas e produção de 150 coelhos por mês).”

Segundo o técnico, a produção atual mal dá para atender o mercado interno, embora se saiba que o mercado externo seja significativo e promissor.

Na França, Itália e Espanha, o consumo de carne de coelho fica em 8 animais per capita/ano. No Brasil, o consumo é extremamente baixo, estimado entre 120 e 200 gramas por pessoa anualmente.

“Além da carne (primeira qualidade, branca, macia, saborosa, com elevado conteúdo proteico e baixo teor de colesterol), a rentabilidade da cunicultura comercial é resultado da comercialização de pele (casacos, golas, punhos, artesanatos e cola), pelo (feltros e artesanato), cérebro (medicamentos – teste do pezinho de bebês), orelhas (fabricação de gelatinas), carcaça (farinha), esterco (adubos e rações para outros animais) e sangue (soro)”, conclui.

CRIAÇÃO

Claudinei Tavares cria coelhos há 16 anos em Cascavel, oeste paranaense. “Quando eu era criança eu tinha e vi a possibilidade, a princípio como hobby e depois se tornou algo que era viável financeiramente.”

Em 2025, a produção alcançou em torno de 400 filhotes. “2026 com certeza vai ser bem mais aquecido. Muita gente parou de criar coelho, principalmente para pet, e o pessoal que tem coelho de genética também retrocedeu bastante, então para mim está sendo bastante positivo. Cada ano sempre supera o ano anterior.”

Sobre o mercado atual, Tavares aponta uma procura forte de coelhos como pets. “O coelho está se consolidando como um animal pet, é inegável isso. Tem também o pessoal que quer genética para abate – tenho raças para carne, como nova zelândia branco e botucatu”, pontua.

Sobre as práticas que adota para obter o máximo de desempenho da criação em qualidade, Tavares destaca o bem-estar animal, o que inclui ambiente e alimentação adequados.

“Uma coisa essencial é cuidar dos seus coelhos sem reproduzir de forma indiscriminada. Isso é coisa do passado. Se você quer ter uma produção legal de filhotes, você tem que saber que a fêmea tem um limite. Se você respeitar o ciclo, você consegue obter bons filhotes. Uma cria atrás da outra não quer dizer que você vai ter coelhos bons, não é viável.”

Segundo ele, a criação de coelhos foi por muitos anos uma atividade complementar em sua propriedade, porém hoje é o carro-chefe. “Nunca fiz abate, eu sempre vendo para genética ou para pet.”

Ele acrescenta que hoje são poucos os estabelecimentos comerciais do Paraná que vendem carne de coelho. “Não é algo muito consumido. E quanto mais a questão do pet se estabiliza, mais vai haver negatividade no sentido de consumo de carne”, conclui.

mockup