Paraná é o terceiro maior produtor nacional de coelhos
Plantel no estado superou 24 mil animais que resultaram em mais de 145 mil kg de carne
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2026
Plantel no estado superou 24 mil animais que resultaram em mais de 145 mil kg de carne
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O Paraná é o terceiro estado brasileiro com a maior criação de coelhos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
O instituto aponta que Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram quase 60% da produção nacional de coelhos. RS, SC e PR respondem, respectivamente, por 29%, 19% e 12% da produção nacional.
Segundo relatório do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), a criação de coelhos gerou uma renda bruta de R$ 1,8 milhão em 2024 no Paraná, proveniente de um plantel composto por 24.170 animais e com o abate de 145,6 mil kg de carne.
Nesse ano, a criação de coelhos se concentrou prioritariamente em Foz do Iguaçu, extremo oeste do Paraná, respondendo por 83% da produção estadual. A produção alcançou 17 mil cabeças que geraram 55 mil kg de carne.
Na sequência vêm dois municípios no sudoeste do Paraná: Francisco Beltrão, com a produção de 1.150 cabeças e 2,1 mil kg de carne (2,9% de participação estadual), seguido de Salgado Filho, com 700 cabeças e 1,2 mil kg de carne de coelho (1,6% de participação).
A criação de coelhos é denominada de cunicultura. A carne apresenta um alto valor energético e também baixos teores de colesterol. A carne de coelho tem 28% de proteína e 10,2% de gordura. As outras carnes possuem os seguintes teores de proteína e gordura, respectivamente: frango (20,8% e 11%), boi (16,3% e 28%) e porco (11,9% e 45%).
“Os coelhos podem produzir grandes quantidades de carne rica em proteína em menos tempo que animais de outras espécies exploradas zootecnicamente”, explica o médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral. Ele explica que o abate de coelhos pode ser feito desde os 70 dias de idade, quando atinge peso por volta de 1,8 kg.
“A maioria dos criadores de coelhos desenvolve a atividade paralelamente à outra principal, com pequenos plantéis (30 a 50 fêmeas e produção de 150 coelhos por mês).”
Segundo o técnico, a produção atual mal dá para atender o mercado interno, embora se saiba que o mercado externo seja significativo e promissor.
Na França, Itália e Espanha, o consumo de carne de coelho fica em 8 animais per capita/ano. No Brasil, o consumo é extremamente baixo, estimado entre 120 e 200 gramas por pessoa anualmente.
“Além da carne (primeira qualidade, branca, macia, saborosa, com elevado conteúdo proteico e baixo teor de colesterol), a rentabilidade da cunicultura comercial é resultado da comercialização de pele (casacos, golas, punhos, artesanatos e cola), pelo (feltros e artesanato), cérebro (medicamentos – teste do pezinho de bebês), orelhas (fabricação de gelatinas), carcaça (farinha), esterco (adubos e rações para outros animais) e sangue (soro)”, conclui.
CRIAÇÃO
Claudinei Tavares cria coelhos há 16 anos em Cascavel, oeste paranaense. “Quando eu era criança eu tinha e vi a possibilidade, a princípio como hobby e depois se tornou algo que era viável financeiramente.”
Em 2025, a produção alcançou em torno de 400 filhotes. “2026 com certeza vai ser bem mais aquecido. Muita gente parou de criar coelho, principalmente para pet, e o pessoal que tem coelho de genética também retrocedeu bastante, então para mim está sendo bastante positivo. Cada ano sempre supera o ano anterior.”
Sobre o mercado atual, Tavares aponta uma procura forte de coelhos como pets. “O coelho está se consolidando como um animal pet, é inegável isso. Tem também o pessoal que quer genética para abate – tenho raças para carne, como nova zelândia branco e botucatu”, pontua.
Sobre as práticas que adota para obter o máximo de desempenho da criação em qualidade, Tavares destaca o bem-estar animal, o que inclui ambiente e alimentação adequados.
“Uma coisa essencial é cuidar dos seus coelhos sem reproduzir de forma indiscriminada. Isso é coisa do passado. Se você quer ter uma produção legal de filhotes, você tem que saber que a fêmea tem um limite. Se você respeitar o ciclo, você consegue obter bons filhotes. Uma cria atrás da outra não quer dizer que você vai ter coelhos bons, não é viável.”
Segundo ele, a criação de coelhos foi por muitos anos uma atividade complementar em sua propriedade, porém hoje é o carro-chefe. “Nunca fiz abate, eu sempre vendo para genética ou para pet.”
Ele acrescenta que hoje são poucos os estabelecimentos comerciais do Paraná que vendem carne de coelho. “Não é algo muito consumido. E quanto mais a questão do pet se estabiliza, mais vai haver negatividade no sentido de consumo de carne”, conclui.


