O Paraná é o terceiro maior exportador de mel do país, com 5.983 toneladas vendidas para o exterior em 2025, que resultaram em uma receita de 20 milhões de dólares. Os dados são da Agrostat Brasil, ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária que divulga estatísticas de exportação e importação de produtos agropecuários.

O preço médio da tonelada de mel exportada pelo Paraná em 2025 ficou em 3.354 dólares, 28% superior ao valor médio registrado no ano anterior, de 2.619 dólares por tonelada. Com relação ao volume remetido ao exterior, o crescimento entre 2024 e 2025 no estado foi de 50%.

O maior exportador de mel do país no ano passado foi Minas Gerais, com 7.722 toneladas remetidas ao exterior e receita de 26,3 milhões de dólares. Na segunda colocação veio o Piauí, com 6.564 toneladas exportadas e receita de 21,6 milhões de dólares.

Em todo o Brasil, a exportação de mel em 2025 alcançou 34.468 toneladas, volume 9,1% menor em comparação ao ano anterior, quando foram exportadas 37.931 toneladas. Mais de 84% de todo o mel exportado pelo Brasil em 2025 teve como destino os Estados Unidos.

O médico-veterinário Roberto Carlos de Andrade e Silva, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), considera que, apesar do tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos, a exportação de mel para os EUA caiu nacionalmente apenas 3,2% em termos de volume entre 2024 e 2025.

No entanto, o crescimento da receita nesse mesmo período foi de 24,3%, principalmente devido ao maior valor pago pela tonelada de mel.

“Os efeitos do tarifaço de 50% sobre a apicultura, que foi fortemente impactada, apontam para uma antecipação de compra por parte dos Estados Unidos”, analisa o técnico do Deral.

Em agosto de 2025, período pré-tarifaço, os EUA importaram do Brasil 2.941 toneladas de mel e gastaram 10,6 milhões de dólares. O volume foi 25% maior em comparação ao mesmo mês de 2024, enquanto o valor foi 76% superior.

“No mês de setembro de 2025, o impacto negativo da sobretaxa sobre a apicultura mostrou-se evidente”, pontua o técnico. O volume importado pelos EUA foi 19% menor na comparação com setembro de 2024.

SOBRETAXA

Em novembro de 2025, os Estados Unidos anunciaram a retirada da tarifa de 50% de diversos produtos brasileiros. No entanto, café solúvel, uva, mel e pescados continuaram sendo taxados em 50%.

Andrade considera que o segmento apícola vive um compasso de espera. “A sobrevivência de muitos produtores depende do sucesso das futuras negociações bilaterais para extinguir a tarifa. Sem isso, e considerando a dificuldade logística e sanitária de abrir novos mercados a curto prazo, a apicultura brasileira corre o risco de entrar em uma crise estrutural profunda”, conclui.

Relatório do Deral aponta que o Valor Bruto de Produção (VBP) do mel no Paraná alcançou R$ 244,3 milhões em 2024.

Arapoti é o maior produtor do Estado, com VBP de R$ 41 milhões, o que representa uma participação de quase 17% da cultura no Paraná.

A produção de mel ocorreu em 394 dos 399 municípios paranaenses, totalizando 12,5 mil toneladas.

PRODUTOR

Produtor de mel há cerca de 25 anos em Arapoti, Everson Fernandes Camargo herdou a atividade da família. No ano passado, a produção alcançou cerca de 30 toneladas. A projeção até o final de 2026 é ampliá-la para 40 toneladas, um crescimento superior a 30% em comparação a 2025.

“O tarifaço deu uma travada nas compras, e a nossa esperança é que em 2026 isso se acerte”, destaca Everson.

Atualmente, o produtor atende somente o mercado interno, mas não descarta iniciar a exportação de mel. “É um processo um pouco burocrático e seria preciso o mercado normalizar antes, especialmente a questão do tarifaço dos EUA”, pontua.

Para obter melhor qualidade e produtividade, Everson cita algumas práticas adotadas na propriedade. “Buscamos novas tecnologias, estamos sempre fazendo cursos de aprimoramento da atividade, conversamos com técnicos e com outros apicultores, além de focarmos na qualidade no processo de beneficiamento do mel”, lista.

Hoje, o mel produzido na propriedade é comercializado principalmente para duas agroindústrias, uma em Maringá (Noroeste) e outra em Araranguá (SC).

DESAFIOS

Entre os desafios enfrentados, Everson cita a integração da lavoura de soja com a apicultura. “Tem lugares que produzem mel de soja e, em Arapoti, não conseguimos por causa do uso indiscriminado de agrotóxicos na lavoura. Seria importante o Paraná entrar com essa meta. Isso teria de ser mais discutido. Há pesquisas que apontam um aumento da produção de soja junto com a apicultura”, destaca.

O uso indiscriminado de agrotóxicos coloca em risco colônias de abelhas de matas próximas que visitam essas áreas ou que polinizam lavouras, já que resíduos permanecem nas flores e contaminam o néctar e o pólen. “No Rio Grande do Sul, como há maior conscientização, o mel de soja é produzido”, conclui o produtor.

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