Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta o Paraná como o 4º maior produtor nacional de tangerinas. Com produção de 111,2 mil toneladas em 7,8 mil hectares de terras em 2024, o território paranaense ficou atrás somente de São Paulo (314,6 mil t em 10,5 mil hectares), Minas Gerais (284,5 mil t em 14,9 mil hectares) e Rio Grande do Sul (156,1 mil toneladas em 11,9 mil hectares de pomares).

O volume de produção de tangerina pelos produtores paranaenses representou 10,9% do total produzido no país. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul responderam, respectivamente, por 30,9%, 28% e 15,4%.

O destaque do Paraná nacionalmente é puxado especialmente por Cerro Azul, município localizado no Vale do Ribeira que é maior produtor da variedade de tangerina ponkan no estado, com mais de 62% de participação.

O VBP (Valor Bruto de Produção) da fruta nesse município beirou os R$ 100 milhões em 2024, proveniente da produção de 63,8 mil toneladas em 4 mil hectares.

COMBINAÇÃO

Wender Moreira, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, explica que o destaque de Cerro Azul é resultado da combinação entre natureza e tradição.

“O relevo acidentado do Vale do Ribeira e o clima local, com alta amplitude térmica (calor de dia e frio à noite), representam condições ideais para que a fruta desenvolva doçura, suculência e cor alaranjada intensa. Além disso, a cultura da ponkan se adaptou muito bem às pequenas propriedades rurais do município, passando de geração em geração.”

Hoje, Cerro Azul é reconhecida oficialmente como a Capital Nacional da Ponkan. A Lei Estadual 19.529/2018 declarou Cerro Azul como Capital Paranaense da Ponkan, título posteriormente ampliado para o âmbito federal com a Lei 14.608/2023.

Atualmente, estima-se que Cerro Azul tenha mais de 4 mil produtores ligados à citricultura. “A grande maioria da produção é realizada em pequenas propriedades familiares, caracterizando fortemente a agricultura familiar como base da cadeia produtiva local”, destaca Larana Mangger, engenheira agrônoma da secretaria.

DESTINO

A ponkan produzida em Cerro Azul abastece principalmente o mercado interno, sendo distribuída para diversos estados, com destaque para os mercados consumidores das regiões Sul e Sudeste. A comercialização ocorre tanto por meio de atravessadores e mercados atacadistas, quanto diretamente para supermercados, feiras e comércios locais.

“A produção é destinada ao consumo in natura, em razão das características de qualidade da fruta produzida no município, reconhecida pelo sabor adocicado, elevada suculência, casca de coloração intensa e facilidade de descasque”, aponta Mangger.

Entre os principais desafios enfrentados atualmente pelos produtores de ponkan de Cerro Azul está a instabilidade do mercado agrícola, especialmente relacionada à oscilação de preços da fruta ao longo da safra.

“Em períodos de alta produção, ocorre aumento da oferta no mercado, o que pode reduzir significativamente o valor pago ao produtor rural, impactando diretamente a rentabilidade das propriedades. Além disso, os custos de produção têm aumentado nos últimos anos, principalmente em relação à aquisição de insumos agrícolas, fertilizantes, defensivos, combustíveis e mão de obra”, destaca o secretário.

Outro desafio importante está relacionado à infraestrutura logística e às condições das estradas rurais. “Como grande parte das propriedades produtoras de ponkan está localizada em áreas montanhosas e de difícil acesso, o transporte da produção pode ser prejudicado, especialmente em períodos chuvosos. Isso afeta o escoamento da safra, aumenta os custos de transporte e pode comprometer a qualidade da fruta durante o deslocamento até os centros de comercialização”, completa o secretário.

PRODUTOR

Agilson França produz tangerina ponkan há 15 anos em Cerro Azul. Hoje, a fruta é a principal fonte de renda da família, que tem a expectativa de colher 60 toneladas neste ano.

“Este ano começou melhor que 2025, mas agora deu uma diminuída. As vendas estão menores por haver muito mais frutas no mercado agora em 2026 em comparação ao ano passado”, destaca.

Para obter o máximo em produtividade e qualidade, França destaca que é preciso se atentar à adubação adequada. “O lucro demora depois de um tempo, uns cinco anos depois do plantio, girando em torno de 50%”, destaca.

Entre os desafios enfrentados, o produtor aponta a escassez de mão de obra. “Falta gente na época da colheita”, aponta.

A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Cerro Azul desenvolve trabalho de apoio técnico aos produtores rurais do município, especialmente aos citricultores.

Entre as principais ações realizadas está o monitoramento do inseto vetor do greening, considerada atualmente a principal doença da citricultura mundial.

Outro serviço ofertado pela secretaria é a consultoria agrícola, por meio de acompanhamento técnico nas propriedades rurais, auxiliando os produtores no planejamento e manejo das culturas.

A secretaria também atua no desenvolvimento de projetos de fomento à diversificação de culturas, buscando ampliar as alternativas de renda das famílias e fortalecer a sustentabilidade econômica das propriedades.

DESTAQUE

Dados do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), apontam que a variedade ponkan domina a produção de tangerina no Paraná, em comparação às outras duas cultivares produzidas no estado.

Para se ter uma ideia, enquanto o maior produtor de ponkan gerou um VBP de R$ 99,4 milhões em 2024, as variedades montenegrina e murcote geraram, respectivamente, um VBP de R$ 6,8 milhões e R$ 14,1 milhões, respectivamente.

Doutor Ulysses, também no Vale do Ribeira, lidera a produção de tangerina montenegrina no estado. Já no topo do ranking da produção de murcote está Ângulo, na região de Maringá.

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