Cláudia Barberato
De Londrina
O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, assinou na última terça-feira, 28 de dezembro, portaria declarando o Paraná zona livre de febre aftosa com vacinação. A medida é resultado do êxito dos exames sorológicos realizados no rebanho bovino paranaense desde agosto de 1999, que comprovaram a inexistência do vírus da doença.
A declaração do Ministério da Agricultura é a última etapa para o reconhecimento pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) que deverá se reunir em maio, em Paris. O reconhecimento, segundo o secretário de Agricultura do Paraná, Antônio Poloni, representaria aumento de 1.000% nas exportações de carne do Estado.
Mercado potencialO Paraná exporta hoje, entre carne bovina e suína, 33 mil toneladas por ano com faturamento de US$38 milhões. Com a declaração de área livre e o reconhecimento internacional as exportações deverão crescer para 200 mil toneladas e o faturamento para US$368 milhões.
O Estado está há 55 meses sem registrar nenhum foco da aftosa e esperava há muito tempo pela declaração. O secretário estadual de Agricultura atribuiu a conquista ao empenho de técnicos e pecuaristas paranaenses na vacinação dos rebanhos e ao trabalho de entidades como o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária.
No Brasil, até agora, apenas os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul haviam sido declarados área livre. Na portaria assinada pelo Ministro, além do Paraná, foram declarados como zona livre com vacinação os outros Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.
Fiscalização maiorCom a declaração de área livre de febre aftosa a Secretaria de Agricultura do Paraná vai agora reforçar o sistema de fiscalização. O objetivo é impedir a reintrodução do vírus da doença. A manutenção da conquista, de acordo com o secretário Poloni, exige uma fiscalização redobrada.
Segundo o chefe da Divisão Sanitária Animal, da Seab, Felisberto Baptista, uma equipe de 150 veterinários está de prontidão para cumprir a portaria assinada pelo Ministro Pratini de Moraes, que impõe condições ao trânsito de animais na área livre do Circuito Pecuário Centro-Oeste.
A portaria proíbe o trânsito de carne com osso para os Estados livres da febre aftosa. O trânsito de animais para abate ou para reprodução de área tampão como o Mato Grosso do Sul para as propriedades no Paraná será permitido somente com algumas condições. A transferência de animais oriundos de regiões tampão, que contornam o Circuito Pecuário Centro-Oeste terá que seguir algumas regras.
Exigências técnicasOs animais deverão ser submetidos a quarentena nos Estados de origem e a exames de sorologia para verificar a ausência do vírus. No Paraná, os animais serão submetidos a uma nova quarentena e novo teste de sorologia. E só em seguida serão liberados. Antes de cumprir o período de quarentena, os criadores deverão pedir autorização de trânsito na delegacia federal do Ministério da Agricultura e na Secretaria de Agricultura.
O trânsito de animais para abate só será permitido se o destino for um frigorífico com Serviço de Inspeção Federal (SIF). Mesmo assim os animais também terão que ser submetidos a uma quarentena no local de origem e realizados dois testes de sorologia também no local de origem com intervalo de 15 dias. Em seguida a carga poderá vir lacrada para o frigorífico com SIP (serviço de inspeção estadual) no Paraná.
Cumpridas as exigências, animais e carne oriundos do Mato Grosso do Sul, ou outra região da zona de tampão só poderão entrar pelas barreiras de Porto São José, em Guaíra, na região noroeste do Paraná. As demais barreiras não permitirão entrada de cargas.Ainda falta o reconhecimento internacional para conquistar novos mercados e aumentar exportação de carne
Perpectivas é de que o reconhecimento internacional possa aumentar o mercado de carne a ser exportadaVitóriaA conquista de área livre com vacinação foi atribuída também à conscientização, dos pecuaristas, da necessidade de vacinar os animais

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