O Paraná, particularmente, destaca o pesquisador, é um Estado de vanguarda em vários aspectos na gestão ambiental. Foi o primeiro que implementou o programa de microbacia, que só agora é seguido pelos outros Estados. Foi o Estado que mais se preocupou com o registro, uso e descarte de embalagens de agrotóxicos, que só depois foi implementado no País. ''Atualmente, apresenta restrições ao uso de plantas transgênicas, utilizando-se do princípio da precaução''.
Hoje, de acordo com Ferraz, a produção ambientalmente correta é decorrente de uma exigência de mercado, principalmente o exportador e de alguns setores da cadeia produtiva nacional. ''A legislação ambiental é adequada. O problema é que os estragos ambientais foram muito grandes ao longo do tempo e sua recuperação é custosa e demorada''.
A implantação de projetos de gestão, no entanto, ainda esbarra na falta de mudas de plantas nativas com grande diversidade e a manutenção delas até que atinjam o tamanho em que não sofram predação e estejam de fato estabelecidas, avisa Ferraz. Segundo ele ainda há erros na expansão de áreas de pastagens em cima de áreas nativas, o desmatamento e uso de áreas de pastos ocupando áreas de plantios.
''Existe a possibilidade de se recuperar investimentos em recuperação de áreas degradadas usando MDL - mecanismos de desenvolvimento limpo, ou seja, tendo acesso ao mercado de carbono, que atualmente é bastante incipiente e nebuloso''.
Na opinião de José Ferraz, como o serviço de extensão oficial está ''totalmente desarticulado no País'', as orientações aos produtores chegam via organizações, associações e dias-de-campo. ''Deveria existir uma pressão dos agricultores para que essas informações chegassem de forma mais caudalosa.'' Ele orienta que o produtor interessado em implementar uma gestão ambiental em sua propriedade procure por ongs, institutos de pesquisa e associações de produtores, que desenvolvam agricultura agroecológica.
A própria Embrapa Meio Ambiente, por exemplo, mantém a Rede de Agricultores, para troca de informações e experiências com pesquisadores e extensionistas. ''Existem trabalhos com cooperativas de produtores de café, onde todo o sistema produtivo é discutido num contexto de microbacias. Além disso, há projetos de Produção Integrada e principalmente trabalhos de educação e gestão ambiental''. (C.B.)

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