Os recursos fitogenéticos para agricultura e alimentação são de patrimônio da humanidade, segundo tratado da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Conservar a genética, seja de vegetais, animais ou micro-organismos é de suma importância para o futuro do ser humano, principalmente quando se pensa em alimentar a população mundial, que deve atingir a marca de 10 bilhões de pessoas em 2040.
Armazenar sementes em locais adequados ou mesmo manter uma diversidade de espécies no campo por meio de instituições de pesquisa, universidades ou produtores são algumas das formas de conservar os recursos genéticos do planeta. Quanto maior o número de materiais armazenados adequadamente, aumentam-se as possibilidade de criar espécies geneticamente melhoradas no futuro, com alta produtividade, resistentes a doenças, pragas e situações climáticas desfavoráveis. É como um banco de dados de um computador, mas com um detalhe especial: o backup resguarda o futuro.
Sabendo da importância da conservação de recursos genéticos, o Paraná conta com o trabalho de instituições públicas e privadas, além produtores inseridos em associações e projetos específicos para executar o trabalho. A novidade está na criação, neste mês de junho, da Rede de Recursos Genéticos Paranaense (Regenpar). Nos próximos dois meses, trâmites burocráticos serão trabalhados pelos coordenadores de cada uma das cinco macrorregiões do Estado, como a documentação e captação de entidades que serão envolvidas em cada uma delas.
"O primeiro passo é mapear cada uma das regiões, fazer um levantamento sistemático, montar um banco de dados do que produtores e instituições estão fazendo para a conservação de recursos genéticos em território paranaense", explica o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Clandio Medeiros da Silva, representante estadual da Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos e um dos idealizadores da Regenpar.
O pesquisador relata que o País passa pela chamada "erosão genética", na qual os recursos estão se perdendo por mal uso e até desconhecimento. Ele comenta que uma das bases de atuação é estimular para que os produtores também façam esse trabalho, o que é mais barato do que despender recursos públicos para que as entidades executem todo armazenamento e proteção dessas espécies. "Todos devem se preocupar com isso, porque perder esses recursos significa perder, por exemplo, a base alimentar da população", relata ele.
A pesquisadora da área de melhoramento de genética vegetal e gerente do setor de recursos genéticos do Iapar, Vânia Moda Cirino, também destaca a importância de se criar um inventário estadual dos recursos conservados, e de que forma isso acontece no Estado. "É importante que o Brasil se organize, sabendo o que está sendo conservado em cada estado, que as informações sejam disponibilizadas e que ocorra o intercâmbio entre as instituições acerca do assunto."
Por fim, a pesquisadora salienta que a Regenpar vai fomentar a implantação de políticas públicas no Estado, "pensando na abertura de editais para financiar as atividades que envolvem a conservação de recursos genéticos no Paraná, como acontece no estado de São Paulo".

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