Os produtores paranaenses são os que mais contratam seguro rural no país, responsáveis por quase um terço das contratações realizadas no ano passado. A estatística é do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Segundo a pasta, o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) abrangeu uma área segurada de 3,2 milhões de hectares e um valor total segurado de R$ 17,7 bilhões em 2025 em todo o Brasil.

Dentro desse universo, o estado do Paraná abrangeu uma área segurada de 1,2 milhão de hectares e R$ 5,6 bilhões em valores segurados. Em cifras, isso representa 31,6% de participação em nível nacional.

O PSR é uma iniciativa do governo federal que subsidia parte do custo do seguro agrícola. Criado para tornar a proteção mais acessível, o programa permite que o produtor pague apenas uma fração do valor da apólice, protegendo sua lavoura contra perdas causadas por adversidades climáticas.

No entanto, conforme mostrou a FOLHA Rural na edição de 16 de maio de 2026, os produtores rurais estão aderindo menos ao seguro rural por conta de questões como alto custo e burocracia.

O volume de contratação de apólices de seguro rural caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025 no Paraná, segundo os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Entre as reclamações mais frequentes dos produtores rurais está a ausência de subvenção por parte do governo.

REDUÇÃO

O Ministério da Agricultura informa que, em virtude da necessidade de ajuste fiscal, o orçamento previsto para execução do PSR no exercício de 2025 foi reduzido em cerca de 40%.

“O programa, ainda com esse cenário, beneficiou cerca de 42 mil produtores em todo o país, abrangendo uma área segurada de 3,2 milhões de hectares e um valor total segurado de R$ 17,7 bilhões. Especificamente no estado do Paraná, o PSR atendeu aproximadamente 16 mil produtores, contemplando uma área segurada de 1,2 milhão de hectares e R$ 5,6 bilhões em valores segurados”, informou.

Outra reclamação dos produtores é o aumento do custo das apólices nos últimos anos.

“No que se refere às condições comerciais ofertadas pelas seguradoras, verifica-se que o mercado de seguros passou por um período de ajustes, especialmente a partir da safra 2021/2022, quando foi registrada sinistralidade em patamar recorde”, justifica o Ministério da Agricultura.

Ainda segundo a pasta, na referida safra, as seguradoras desembolsaram aproximadamente R$ 8 bilhões a título de indenizações aos produtores rurais.

“A partir desse cenário, foram promovidos ajustes nas coberturas das apólices, bem como atualização das taxas de prêmio aplicáveis a determinados cultivos e regiões”, conclui.

INSUFICIENTE

Com propriedade em Alvorada do Sul, na região de Londrina, o produtor rural Eduardo Martins contratou seguro rural para a safra de soja 2025/26.

“Acionamos o sinistro logo no começo da cultura porque perdemos por causa do granizo. Na época fomos indenizados com o valor do gasto em sementes e um pouco de adubo”, relembra.

Com o replantio da soja em período tardio, aliado ao clima quente e à falta de chuvas em fevereiro deste ano, Martins acionou novamente o seguro.

“Produzimos só 88 sacas por alqueire e a lavoura estava segurada com 90 sacas, daí fomos indenizados só com 2 sacas por alqueire, a diferença. Deveríamos ter uma modalidade de seguro que garantisse a rentabilidade esperada e não a produtividade.”

Mas, segundo ele, se for contabilizar todos os custos (insumos, mão de obra, manutenção, depreciação de maquinários, óleo diesel e impostos), o investimento feito corresponderia a mais de 100 sacas por alqueire, o que ampliaria o prejuízo.

Com relação à produção do milho safrinha, Martins optou por não contratar o seguro. Segundo ele, os motivos foram os altos preços praticados pelas seguradoras e a falta de subvenção por parte do governo.

“A situação hoje sem a contratação do seguro fica mais difícil no quesito de investimentos, pois não temos mais a segurança de que vamos ter um dispositivo que nos garanta pelo menos uma renda mínima para quitarmos nossos compromissos”, conclui.

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