O gestor estadual de fruticultura da Emater, Elcio Rampazzo reforça o empenho do Estado na capacitação dos fruticultores
O gestor estadual de fruticultura da Emater, Elcio Rampazzo reforça o empenho do Estado na capacitação dos fruticultores | Foto: Saulo Ohara/29-08-2017



Se os números da fruticultura do Paraná ainda são ínfimos na balança comercial, por outro lado isso mostra que há muito espaço para crescimento da produção em diversas regiões. São enormes as possibilidades para produtores de pequeno porte, com uma variedade grande de frutas para apostar. Apesar de alguns polos importantes e já consolidados no Estado, percebe-se uma falta de conhecimento técnico entre os produtores. Antes de exportar, esse é um passo a ser vencido.

Para sanar esses problemas – principalmente de manejo - de forma mais eficiente, desde o ano passado agrônomos e técnicos agrícolas das iniciativas privada e instituições públicas participam do Curso de Qualificação Profissional para o desenvolvimento da Fruticultura no "Território do Vale do Ivaí". Desde o último trimestre de 2017 já aconteceram 3 módulos de 16 horas cada, com enfoque na comercialização de frutas, manejo de solo, organização rural, economia, entre outros assuntos.

Neste ano, acontecem mais seis módulos a partir de fevereiro, tratando especificamente das frutas que podem ser trabalhadas na região. Em fevereiro, na região de Apucarana, acontece o módulo de morango e amora. Em março, maracujá em Lidianópolis, banana em Novo Itacolomi (abril), uva em Rosário do Ivaí (maio). Em junho, ainda sem local definido, o módulo de goiaba, laranja e figo. Por fim, os profissionais fazem um fechamento e avaliação geral do grupo. Todas essas técnicas serão disseminadas aos produtores.

A capacitação está sendo ofertada mediante parceria firmada entre o Território do Vale do Ivaí, Instituto Emater; IFPR (Instituto Federal do Paraná) - campus de Ivaiporã; UFPR (Universidade Federal do Paraná) - campus de Jandaia do Sul; e Unespar (Universidade Estadual do Paraná) - campus de Apucarana. As universidades serão responsáveis pelo modelo pedagógico e pela certificação dos profissionais treinados.

De acordo com o gestor estadual de fruticultura da Emater, Elcio Rampazzo, até o momento 46 técnicos já participam dos trabalhos. "Nas regiões de Apucarana e Ivaiporã, os índices de desenvolvimento econômico são muito baixos. Desenvolver a fruticultura na região será muito importante para o Vale do Ivaí como um todo. O envolvimento das universidades é fundamental, com professores de diversas linhas de formação, focando inclusive na ecologia e no meio ambiente."

Rampazzo acredita que, antes de pensar na exportação, os fruticultores paranaenses têm muito o que evoluir no mercado interno. Para o gestor, ainda há espaço para aumento de área, melhoria de qualidade, rastreabilidade do produto e até proteção da água das propriedades. "Temos muito potencial para crescer, a nossa produção não abastece a demanda e por falta de sazonalidade, importamos muitos produtos de fora."

O gestor já aproveita para citar alguns cases de sucesso no Estado e que servem de espelho para outras regiões: o polo de banana em Novo Itacolomi, maracujá na região sul de Ivaiporã (Cândido Abreu, Manoel Ribas e Nova Tebas) e uva em Rosário do Ivaí. "Essas pequenas concentrações, com um trabalho bem feito, podem se tornar polos ainda maiores. O esforço de todas essas entidades tem objetivo de aumentar a renda dos agricultores e, assim, que eles permaneçam na propriedade no futuro."

O território Vale do Ivaí reúne 27 municípios e, segundo o Deral, na safra 2014/2015, tinha 2,4 mil hectares de terras ocupados com a fruticultura. A atividade gera anualmente uma receita bruta de R$ 47 milhões. As principais culturas são banana, laranja, uva, goiaba, maracujá e morango.

Atenção total à citricultura

Quando tratamos da citricultura do Paraná, é preciso salientar a representatividade que ela tem frente a outras culturas e, portanto, um potencial enorme para ganhar novos mercados. De acordo com o Deral, em 2016 a área para laranja, tangerina e limão estava em 32,1 mil hectares, uma produção de 893,4 mil toneladas (84,7% só laranja), com um VBP que totalizou R$ 347,2 milhões, 23,4% do montante total.

Não por acaso, a atenção sanitária em cima do citros é enorme. Em dezembro, o Paraná foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura como área sob SMR (Sistema de Mitigação de Risco) para o cancro cítrico, conforme estabelece a IN 37/2016 da entidade. "A importância da resolução é atestar a condição e qualidade sanitária dos pomares paranaenses. Essa resolução admite que a bactéria está presente nos pomares de citros (do Estado), porém sob controle oficial, que atrelado às orientações dos assistentes técnicos e à certificação fitossanitária, garante a não disseminação da praga", explica o coordenador do Programa de Sanidade da Citricultura, José Croce Filho.

Para poder ser considerado área sob SMR, o Paraná precisa cumprir uma série de requisitos, tais como possuir variedades de plantas resistentes à doença, pomares com proteção de quebra-vento, realizar pulverizações preventivas com bactericida e efetuar o tratamento de frutos pós-colheita. "O Paraná tem todos os requisitos necessários para ter o status. O Estado tem uma situação sanitária muito segura e implantou a sua citricultura em cima desses requisitos", afirma.

Além do cancro cítrico - praga causada pela bactéria Xanthomonas citri –, o Estado também está atento a outras duas doenças extremamente perigosas para a cultura: HLB (ou greening) e a pinta preta. Segundo Croce, o Paraná também atende às instruções normativas referentes a essas duas doenças, facilitando assim, os possíveis acordos comerciais que implicam no trânsito de frutas para outros estados e países. "O Mapa reconhece que o Paraná cumpre com as INs e está apto a comercializar frutos para qualquer mercado", ressalta.

Vale dizer que a resolução nº 18 atesta que 31 municípios do Paraná excetuam-se do disposto por serem considerados livres da praga. São elas: Adrianópolis, Agudos do Sul, Almirante Tamandaré, Araucária, Antonina, Balsa Nova, Bocaiuva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Cerro Azul, Colombo, Contenda, Curitiba, Doutor Ulysses, Fazenda Rio Grande, Guaraqueçaba, Guaratuba, Itaperuçu, Mandirituba, Matinhos, Morretes, Paranaguá, Pinhais, Piraquara, Pontal do Paraná, Quatro Barras, Rio Branco do Sul, São José dos Pinhais, Tijucas do Sul e Tunas do Paraná.

Esta condição foi atestada devido aos levantamentos amostrais oficiais de campo, durante cinco anos, com a adoção também de boas práticas agrícolas, porém de forma preventiva e não curativa, como no caso do SMR. Com o reconhecimento oficial de área livre da praga os 31 municípios poderão receber empreendimentos que tenham por objeto a implantação de cultivos atualmente restritos para o Paraná. (V.L.)

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