Paraná amplia em 33% a exportação de frutas em 2024
O limão e a lima são os mais vendidos para o exterior, mas o abacaxi cultivado na região do Norte Pioneiro vem ganhando destaque
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 2025
O limão e a lima são os mais vendidos para o exterior, mas o abacaxi cultivado na região do Norte Pioneiro vem ganhando destaque
Jessica Sabbadini - Especial para a Folha 

As exportações de frutas do Paraná cresceram 33,9% em 2024, se comparado ao ano anterior. Isso porque o estado vendeu mais de US$ 14 milhões em frutas ao longo de 2024, enquanto que em 2023 o valor foi de US$ 10,4 milhões. Ao todo, foram escoados 63 tipos para 54 países, sendo a Holanda e a Argentina os principais parceiros do Paraná na aquisição de frutas, com 7,5 mil e 4,5 mil toneladas, respectivamente.
De acordo com os dados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comercial e Serviços e tabulados pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), ao longo de 2024, o Paraná exportou 14,46 mil toneladas de frutas. O valor movimentado com as vendas das frutas em 2024 é o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2021, com US$ 15,8 milhões.

Em relação às frutas mais exportadas, a primeira colocação fica com os limões e as limas, com 8,17 mil toneladas escoadas. Na sequência, aparece a banana, o abacate, o abacaxi, a uva, melancia, mangas, mamão e o caqui. Gerente regional do IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), Maurício Castro Alves explica que um projeto encabeçado pelo instituto fez com que a região do Norte Pioneiro pudesse ser considerada como um polo da fruticultura no estado.
Abacaxi do Norte Pioneiro
Com destaque para o abacaxi, há cerca de 10 anos um grupo de técnicos do IDR-PR foram conhecer diversas plantações do fruto, tanto dentro quanto fora do Paraná, que utilizam o mulching. A técnica envolve a cobertura das plantas com uma lona e a irrigação e fertirrigação contínua, o que evita o surgimento de ervas daninhas e pragas, um dos principais desafios para a produção dos orgânicos. “Com o solo e o clima favoráveis, a gente sabia que se adotasse as tecnologias adequadas, a região seria um boa produtora de abacaxi”, ressalta.

Apesar de não ser a maior produtora do estado, a região do Norte Pioneiro conta com ao menos 100 famílias envolvidas no cultivo do abacaxi em uma área de 50 hectares distribuídos em 15 cidades. Ao todo, o número de mudas ultrapassa 1,5 milhão. A agricultura familiar em pequenos módulos de produção, com até 20 mil pés, foi o preconizado no projeto, visto que o mulching e a fertirrigação precisam ser acompanhados de perto. O resultado são frutos com melhor qualidade.
São Paulo é o principal cliente
O principal destino dos frutos, de acordo com Alves, é o estado de São Paulo. A fruta in natura é a mais comercializada, mas algumas indústrias de Santana do Itararé e de Santo Antônio da Platina também vendem a polpa do fruto para a produção de sorvete no estado vizinho, o que movimenta a agroindústria na região.
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O abacaxi cultivado no Norte Pioneiro é o havaí, que é plantado nos meses de julho e agosto e colhido no verão seguinte. “De sabor e doçura, ele é melhor do que o pérola”, afirma. Embora a região concentre ao menos uma centena de produtores de abacaxi, cerca de 20% têm o selo de fruto orgânico.
A longo prazo, o objetivo do IDR-PR é chegar a todos os produtores que já participam do projeto e dar a oportunidade para que outros possam diversificar o seu cultivo com o fruto orgânico, além de ampliar a área de plantio de abacaxi.
Além disso, na região do Norte Pioneiro, principalmente nos municípios de Cornélio Procópio e São Sebastião da Amoreira, Maurício Castro Alves adianta que a produção do abacaxi também já começou. “Os nossos técnicos e especialistas em abacaxi estão visitando esses municípios e treinando os produtores para a produção do fruto”, adianta. Ele também destaca que mudas de uma variedade de abacaxi resistente a várias doenças já está sendo utilizada na região.
O gerente do IDR-PR reforça a importância do envolvimento das prefeituras dos municípios nesse projeto, considerando que para colher é necessário investimento público.
"Plantar abacaxi é uma ótima opção"
A produtora rural Josiane Maximiliano da Silva plantou as primeiras 250 mudas de abacaxi em 2023 em uma experiência compartilhada com o IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná). O resultado foi a colheita de 200 frutos, que foram vendidos na feira livre de Santo Antônio da Platina, na região do Norte Pioneiro. “Foi uma experiência muito boa porque os frutos saíram maravilhosos”, conta, relatando algumas experiências dos clientes em relação ao sabor do abacaxi.

A família de Josiane da Silva é uma das 100 que estão trabalhando com o cultivo de abacaxi no Norte Pioneiro. Com uma área de plantio de mil metros quadrados, no ano passado foram cultivadas outras cinco mil mudas. Segundo a produtora rural, a colheita do fruto está prevista para 2026 e deve complementar a merenda escolar das crianças e ser comercializada também na feira livre.
No momento, o abacaxi ainda não é a principal fonte de renda da família de Josiane da Silva, porque eles contam com outros tipos de frutas e legumes. “Por vendermos na feira livre e na merenda escolar, temos que ter uma certa variedade de produtos. Por isso, por enquanto, o abacaxi não é nossa principal produção. Mas com o plantio que fizemos recentemente, prevemos que ele corresponderá à maior parte de nossa renda”, explica em relação à expectativa de colheita.
Boa aceitação no comércio
Silva acredita que o fruto é uma excelente opção para quem não tem ideia do que plantar, já que é de fácil manejo, é muito consumido e tem uma boa aceitação no comércio. “Eu vejo que os produtores da minha região estão tendo um interesse muito grande em cultivar o abacaxi”, ressalta. Em comparação com outras culturas, ela complementa que o fruto não tem muitas exigências, apenas o cuidado com as pragas, como a cochonilha.
“O fruto lida bem com as mudanças do tempo. O cuidado com o abacaxi durante a floração é com a broca do fruto, então temos que fazer a pulverização para o controle”, explica. Após o período de flora, a proteção é contra o sol, evitando a queima das plantas.

Maycon Sérgio de Almeida também é produtor de abacaxi na cidade de Guapirama. O primeiro plantio foi em 2023 por chegar à conclusão que se tratava de um negócio viável após o contato com outros produtores. Na propriedade de quatro mil metros quadrados, a expectativa é de colher 11,8 mil unidades, que são comercializadas in natura e em polpa. Até o momento, já foram colhidos três mil frutos. Com um cultivo que ele considera positivo, o destaque vai para a resistência que o abacaxi tem à seca e as opções de manuseio da lavoura.


