Paraguai ataca aftosa com vacinação
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sexta-feira, 23 de março de 2001
Emerson Dias Enviado a Hernadárias/Paraguai 
Além de conseguir erradicar a febre aftosa em seu território, o Paraguai reiniciou as exportações de carnes a países vizinhos da América do Sul. Na atual campanha de vacinação, cujo prazo final foi extendido do último dia 15 para o dia 31 deste mês, o Serviço Nacional de Sanidade Animal (Senacsa), já computou a imunização de 90% das 8,5 milhões de cabeças.
Os dados impressionam até mesmo os técnicos que acompanham a trajetória da doença, principalmente nos últimos três anos, considerados o período negro dos pecuaristas. Antes mesmo das duas últimas fábricas paraguaias que fabricavam a vacina fecharem em 1999, os criadores já haviam deixado de se preocupar com os reflexos da doença no mercado externo. Não há como negar: por dois anos, a maioria simplesmente deixou de fazer aplicações no gado. Muitos chegavam a comprar as doses apenas para ter nota fiscal e depois jogavam o produto, comentou o presidente da Associação Rural no departamento (equivalente a estado de federação) de Alto Paraná (ARAP), Eduardo Barreto.
ConsequênciasO resultado do relapso dos pecuaristas veio no final de 1999. Vários focos foram registrados no interior do país, promovendo o cancelamento imediato da importação de carne por parte do Brasil. A compra de produtos bovinos paraguaios voltaria a ser liberada em maio e novamente bloqueada em agosto, devido à novas suspeitas de contaminação do rebanho. Somente os fiscais do Ministério da Agricultura em Foz do Iguaçu registraram, durante a janela que durou três meses, a entrada de 8,2 mil animais vivos e 2,6 mil toneladas de carne bovina. O bloqueio das compras causou um prejuízo calculado pelos paraguaios de R$ 9,5 milhões mensais.
Iniciada a crise, o país decidiu importar, ainda no ano passado, 4 milhões de doses do Brasil e da Argentina, promovendo uma campanha emergencial para imunizar o rebanho que estava dentro do raio de 100 quilômetros da fronteira. Mesmo com uma fábrica voltando a fabricar 2 milhões de vacinas este ano, o Paraguai ainda busca o produto fora. Os criadores estão pagando um preço alto pela imprudência. Até o preço da dose, que antes não ultrapassa os 900 guaranis (R$ 0,51), custa hoje 1.750 (cerca de R$ 1,00), disse Barreto.
Proibição continuaA proibição brasileira ainda continua, mesmo depois que técnicos brasileiros visitaram as áreas consideradas de risco e nada encontraram. O presidente da ARAP comentou que a entidade, juntamente com a Associação Rural do Paraguai, quer agilizar uma negociação promovendo um encontro com a Sociedade Rural do Brasil para tentar acelerar as decisões do governo. Já estamos há dez meses sem a doença. Acho que o Brasil precisa levar isso em conta, afirmou Barreto, citando como exemplo o reinício das negociações entre Paraguai e Chile. Este último país voltou a comprar carne paraguaia depois de cancelar negócios com a Argentina, onde atualmente 25 focos de aftosa já foram confirmados e outros 28 estão sob suspeita.


