A medida, que visa combater o ‘‘rollotráfico’’ (contrabando de madeira bruta), poderá causar desemprego em massa entre a fronteira seca e a região do Lago de Itaipu. A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou semana passada, por 36 votos favoráveis e 5 contrários, projeto-de-lei que amenizaria a situação.
Dentro de 180 dias as indústrias deverão mudar-se para lugares não incluídos na proibição. Os madeireiros sustentam que essa transferência será difícil, porque a maioria emprega brasileiros e paraguaios, construiu escolas, posto de saúde e deu assistência em geral a esses trabalhadores.
Dificuldades Segundo os madeireiros, a mudança de local ficará muito cara e será possível apenas com a ajuda governamental na escolha de terras adequadas e com infra-estrutura básica para o sustento. Os deputados derrubaram as disposições contrárias à lei. O Serviço Florestal Nacional do Paraguai está proibido de fornecer guias de translado de madeira em toras ou vigas, destinadas à zona de exclusão.
Continua proibida a instalação e funcionamento de indústrias que serram toras no limite de 20 quilômetros da faixa fronteiriça, desde a desembocadura do Rio Apa até a linha do dique de contenção da Hidrelétrica de Itaipu, entre Foz do Iguaçu e Hernandárias.
Nessa faixa encontram-se mais de 200 serrarias. No Departamento de Amambay (fronteira do Paraguai e Mato Grosso do Sul), cerca de 700 empregados de madeireiras foram comunicados, segunda-feira, de que sua estabilidade já corre risco.
Em Pedro Juan Caballero funcionavam 19 indústrias do setor. O presidente da Associação dos Madeireiros de Amambay, Juan Bautista Galeano, disse que as autoridades governamentais e o Congresso precisam se preocupar com o problema do desemprego. ‘‘Muita gente pode ir para a rua, se não existir bom-senso’’, alertou.
Depredação ‘‘As famílias dos madeireiros serão obrigadas a se mudarem para locais sem a mínima infra-estrutura’’, criticou o deputado Conrado Pappalardo. A situação já fora prevista há dois anos, quando começaram as discussões sobre o assunto. De acordo com levantamentos do deputado, aproximadamente 17 mil pessoas ficariam sem o sustento diário. Já os deputados Gustavo Candia, Cândido Vera e Francisco José de Vargas argumentaram que a Câmara não poderia ceder a pressões para modificar uma lei ‘‘de grande importância para a ecologia do País.’’
Candia recordou que em outros países há disposições ‘‘muito mais rigorosas’’ sobre o assunto e advertiu: ‘‘De nada servirão campanhas de distribuição de sementes de madeira nobre, se não forem castigados os depredadores.’’
A criação de uma nova Lei para regulamentar o setor madeireiro visa pôr fim ao contrabando. A depredação excessiva tem deixado profundas sequelas climatológicas, não só na faixa fronteiriça, mas em outras regiões paraguaias. Deputados e industriais chegaram a um consenso: eles querem obrigar o Ministério a impor maior controle sobre seus funcionários, ‘‘punindo exemplarmente’’ os denunciados por irregularidades no setor.

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