Para ser competitivo tem que ter boa produtividade
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sábado, 14 de novembro de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
São Paulo - Treze finalistas das regionais Leste e Cerrado de um total de 308 sojicultores inscritos no concurso DuPont Colheita Farta foram premiados no último dia 28 de agosto, em São Paulo. Com uma impressionante produtividade de 109,31 sacas de soja por hectare (ha), a família do agricultor Helmuth José Seitz, de Guarapuava, na região Central do Paraná, conquistou o bicampeonato da competição que é promovida há quatro anos pela DuPont Proteção de Cultivos do Brasil.
"Pelo segundo ano consecutivo estamos conseguindo ganhar com mérito e pretendemos seguir os próximos anos chegando perto ou até ganhando e assim melhorar cada vez mais a produtividade", declara o técnico agrícola e produtor Helmuth Seitz, que cultiva, com o filho Alexandre, que é agrônomo, 1.005 ha de soja, milho, trigo, cevada, aveia e feijão.
Conforme dados da multinacional, cada produtor inscrito no concurso reservou até 30 ha para o cultivo da oleaginosa o mínimo exigido era de 10 ha para aplicar exclusivamente o programa DuPont Soja no controle de pragas e doenças. A metodologia de manejo fitossanitário é composta pelo fungicida Aproach Prima e os inseticidas Avatar, Dermacor, Lannate e Premio e o monitoramento das lavouras contou com o apoio de engenheiros agrônomos da empresa e de auditores independentes, desde a fase da dessecação até a colheita da soja.
Também paranaense, Walter Paini, de Corbélia (Oeste), foi o vice-campeão da Torre Leste, com uma produtividade de 99 sacas de soja/ha. Na Torre Cerrado, o destaque ficou por conta do produtor Eduardo Basso Valim, de Sidrolândia (MS), que produziu 93,43 sacas de soja/ha.
Durante a premiação do concurso Colheita Farta, a DuPont ofereceu aos produtores uma palestra ministrada pelo presidente do Centro de Estudos do Agronegócio (GV Agro), o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Em sua apresentação, ele destacou que a falta de liderança e planejamento tem comprometido o avanço do agronegócio nacional. "Quem não entende os sinais, não vê o futuro", declara Rodrigues, citando a mudança no eixo comercial global, a desaceleração da economia chinesa e a política restritiva dos Estados Unidos como entraves para a economia brasileira atualmente.
No entanto, o ex-ministro lembrou que "o saldo comercial do agronegócio brasileiro é positivo e crescente". Segundo ele, o campo respondeu por 43% das exportações e 24% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e por 30% dos empregos gerados no País em 2013. Ainda conforme ele, a fatia mais importante da produção agropecuária está concentrada, hoje, "depois da porteira". "Insumos correspondem a 12% do setor, a produção agropecuária a 29%, a agroindústria a 28% e a distribuição a 31%."
Rodrigues apresentou números da exportação do setor, que aumentou de US$ 39 bilhões em 2004 para US$ 96 bilhões em 2014, com destaque para a soja, com alta de 25% para 32% nas remessas internacionais, e da carne bovina, que cresceu de 16% para 18% em uma década. Outro destaque é o comércio de suco de laranja, do qual o Brasil detém 77% do mercado.
"A China expandiu suas compras de 7% para 22% neste período", diz o presidente do CV Agro, destacando que os países emergentes são os que mais consomem produtos agrícolas brasileiros na atualidade.
Conforme Rodrigues, levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o Brasil deve ampliar sua produção agropecuária em até 40% até 2020. Ainda de acordo com o estudo, enquanto o Brasil crescerá esse montante, o potencial de crescimento agropecuário nos EUA é de 10% a 15%, de 26% na China e de apenas 4% na Europa.
"Temos tecnologia tropical, terra disponível e gente para isso", justifica o ex-ministro, ressaltando que o único entrave é a falta de políticas públicas para o setor.
"Da safra 1990/91 à safra 2013/14 a produção brasileira cresceu 234% enquanto a área agrícola expandiu 50%. Isso mostra que é possível produzir mais sem desmatar, investindo principalmente em tecnologia", comenta Rodrigues, emendando que, hoje, "para ser competitivo tem que ter boa produtividade".
Rodrigues finalizou a palestra apontando que o grande desafio dos produtores para 2015 será acertar a tendência do dólar. "Melhor ainda é eliminar o risco de volatilidade da moeda, mas hoje o mercado financeiro sobrepõe a agronomia no campo."
A jornalista viajou a convite da DuPont


