Por que, entre tantos escritores, Monteiro Lobato foi escolhido para formatar o projeto dos Encontros Literários? ''A essência de sua obra é que a ignorância é sempre a vilã, já o conhecimento e a cidadania são os heróis. Somos ignorantes sobre vários assuntos, mas a partir do momento que estudamos ou lemos sobre algo, deixamos de sê-lo. E isso vai ao encontro da filosofia cooperativista de dividir o conhecimento'', justifica Ana Lúcia de Almeida, assessora de responsabilidade socioambiental da Integrada.
Para Leo Pires Ferreira, pesquisador aposentado da Embrapa e estudioso de Lobato, a iniciativa da Integrada é única e tem um valor quase imensurável. ''Num país como o nosso, onde as crianças terminam a 8 série sem saber interpretar um texto ou contar o que leram, esse projeto mostra que é possível contribuir para uma sociedade melhor por meio da cultura'', frisa Ferreira, que ministra as palestras.
E frisa que a escolha pelas obras de Monteiro Lobato é proposital, tanto porque nelas a cidadania e a informação são tratadas como pontos fundamentais para o desenvolvimento do ser humano, como pela sua relação com o campo e o meio rural. ''E o mais interessante é que se trata de uma cooperativa de cunho agropecuário, que passou a se preocupar com a cultura. É uma atenção que toda a sociedade deveria dar'', pontua o palestrante voluntário. Para ele, projetos de difusão da leitura oferecem liberdade e capacitação. ''É disso que nossas crianças precisam. Lobato já dizia que um país se faz com homens e livros''. (E.Z.)

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