O uso de produtos com qualquer componente natural, segundo o farmacêutico Luís Carlos Martins, professor do curso de Farmácia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem crescido acentuadamente nos últimos 20 anos. Esse crescimento só não é maior pela exigência da legislação brasileira, que segundo ele ''pede um volume enorme de textos e testes desses produtos''.
A principal interpretação do poder judiciário brasileiro, para Martins, é a proteção dos direitos do consumidor, como ocorre na Alemanha. A diferença, segundo ele, é que ''como no Brasil a fiscalização não funciona, então, o consumidor se torna uma presa fácil''. Essa atitude de defesa, na análise do professor, prejudica o trabalho das indústrias nacionais, que ficam sem legislação e recursos para pesquisas dos produtos formais. Com isso, o País fica com produtos vindos do exterior.
A solução para o professor, é aproveitar a estrutura de pesquisa dos países desenvolvidos, fornecendo a riqueza da flora brasileira e recebendo royalties pelo que é produzido. '' Fica mais barato que construir estruturas de pesquisa e o Brasil poderia controlar essa produção. Pesquisa é pesquisa em qualquer lugar do mundo'', opina.
A UEM, informa Martins, já possui pesquisa pronta para o uso comercial do ginseng brasileiro e do guaraná como medicamentos para a memória e antidepressivo respectivamente. No ano passado foi tentada a produção através de uma licitação. O processo não foi para frente pela ''dificuldade de comunicação entre uma universidade e uma empresa''. Este ano, eles farão uma nova tentativa de negociação. Outra planta já pronta é o barbatimão como cicatrizante de ferimentos externos e até mesmo de úlceras gástricas. ''Testes toxicológicos permitem o uso de medicamento à base da planta tanto para uso externo quanto interno'', garante o farmacêutico. (C.G.)

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