Para pesquisadores, produção depende de conservação
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sexta-feira, 28 de julho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

Ter um solo rico em nutrientes, permeável e com reserva de água, assim como um fornecimento constante de irrigação garantem os melhores resultados no campo. Os pesquisadores e especialistas ouvidos pela FOLHA afirmam que os concursos de produtividade são a prova de que os agricultores com as melhores práticas ambientais e de manejo são os que mais lucram. Para eles, a manutenção da produção está diretamente ligada à consciência sobre a conservação dos dois principais insumos, o solo e a água.
O responsável pelo departamento de sustentabilidade da Emater de Apucarana, Fernando Martins, afirma que a maioria dos produtores faz o dever de casa e são esses exemplos que é importante destacar. Porém, ele diz que parte buscou o lucro momentâneo em um momento de bonança agrícola e colocou em risco o próprio bolso para o futuro. "Muitos procuraram adequar o solo ao tamanho do maquinário em busca de escala na colheita, e não o contrário, então, tiraram os terraços em áreas de declive e passaram a sofrer com erosão", diz.
Martins aponta que a maior preocupação com eficiência na colheita vem da crise de 2008, quando se buscou reduzir custos. Porém, o excesso de chuvas durante o El Niño, entre o fim de 2015 e o ano passado, tornou evidente um problema que, cedo ou tarde, apareceria. Mas não é o único. "Com plantio direto, tivemos uma evolução na palhada, mas muitos partiram apenas para o milho no inverno, que tem pouca palha, então passaram a sofrer com compactação do solo, falta de matéria orgânica, escoamento superficial e falta de infiltração de água", cita.
O resultado final é a perda no bolso. "Temos visto que quem mais se preocupa com a cobertura de solo e conservação de fontes de água tem as maiores produtividades, de até 200 sacas por alqueire (5,8 mil kg por hectare) no caso da soja", diz Martins.
Para o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Soja, Ricardo Abdelnoor, o produtor deve ter consciência que o primeiro insumo é o solo. "Não adianta ganhar muito dinheiro agora e esgotar a fonte para o futuro", diz.
Apesar da evolução no manejo, ele diz que não é preciso deixar de lado técnicas usadas há décadas e que garantem melhores resultados. Abdelnoor também cita os desafios climáticos e os exemplos de concursos de produtividade. "Com uma estiagem mais longa, um solo bem construído permite que a raiz vá mais fundo e busque uma reserva de água maior, com resistência para aguentar mais dias de seca", diz. Ele lembra ainda que a preservação de nascentes é o que permite a irrigação contínua das propriedades.

Responsabilidade inicial é do produtor rural
O coordenador da gerência técnica e econômica da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Sílvio Krinski, afirma que a primeira responsabilidade na conservação do solo e da água na propriedade é do produtor. "Ele pode usar consultoria e buscar conhecimento com o agente de extensão rural e a cooperativa, mas depende dele."
O número de associados a instituições do tipo gira em torno de um terço dos agricultores. "Mesmo para quem produtores individuais, é preciso destacar que há 1,8 mil profissionais de assistência técnica que podem levar a extensão rural às propriedades", conta o coordenador.
Krinski cita ainda outras ações necessárias, como o recolhimento de embalagens de agroquímicos e o manejo integrado para reduzir o uso de produtos. "A conservação de recursos naturais deve ser vista com um olhar sistêmico", diz, ao não descartar nem mesmo a conversa com vizinhos. "No Oeste do Estado, um avicultor tinha a nascente protegida e, de repente, começou a sofrer com a mortalidade das aves. Quando foi procurar o motivo, descobriu que o vizinho não tinha saneamento e tinha uma 'casinha' próxima à mina", exemplifica. (F.G.)


