A coragem e a firmeza da produtora Maria Soares Izidoro, do distrito de Lerroville em Londrina, foram determinantes para que toda a família permacesse no campo. Há seis anos, viu as dificuldades empurrando ela, o marido e os dois filhos para fora do meio onde nasceu e sempre viveu. ''A gente adquiriu um pedaço de terra quando meu sogro morreu, mas como só tínhamos plantação de café, não estávamos conseguindo nos manter. Pensamos em vender tudo e ir para a cidade'', rememora Maria, conhecida como Ziza pela vizinhança.
A necessidade levou a agricultora a procurar uma assistente social em Lerroville, onde foi orientada a contatar a Emater de Londrina. A partir daí, conta Ziza, foi levantada a possibilidade dela produzir frango caipira. ''Fui atrás de financiamento, coloquei a mão na massa e dei início à produção'', lembra a agricultora, que foi a única que conseguiu recursos do Pronaf Mulher na região.
Enquanto a renda com o frango não chegava, Ziza e o marido, Luiz Isidoro, recebiam a ajuda dos dois filhos, Elton e Elder, que foram trabalhar na cidade. ''Foi pela insistência dela que a gente continuou. Sinto muito orgulho'', afirma Isidoro.
Há três anos, a produção de frango caipira começou a dar os primeiros lucros. Por conta disso, um dos filhos voltou para o sítio para ajudar os pais. ''Se não fosse a força de vontade da mãe não estaríamos aqui'', confessa Elton, lembrando que ganhava R$ 1,2 mil de salário na cidade e agora ganha cerca de R$ 600, mas está bem mais feliz.
''Dá a impressão de que é fácil, mas a gente trabalha muito'', conta Ziza, sempre sorridente. Ela revela que para conseguir ficar no Sítio São Pedro Filho precisou ter os pés bem firmes no chão e a cabeça decidida. Conta que a ajuda do marido e dos filhos sempre foi e é fundamental, mas confessa que seu extinto feminino, de proteção e de cuidado tem sido desde então decisivo. ''Vi meus filhos nascerem e crescerem aqui, não dava para abandonar essa história''.
Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Mulher Rural, Ziza observa que a mulher do campo tem muita força e muitos sonhos, mas às vezes as oportunidades são pequenas e as barreiras muitas. ''Já fiz palestra para mais de 500 mulheres e todas com o mesmo sonho: permanecer no campo'', conta. A diciculdade vem pela falta de política agrícola, pela falta de incentivo para a mulher. ''É preciso mesmo amor pelo que fazemos para enfrentar os desafios''. (E.Z.)

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