Competitividade hoje é a palavra chave em todos os setores produtivos. É preciso oferecer produto de qualidade, sempre observando custo/benefício. Semelhante ao que acontece em outras regiões do Paraná e do País, no Norte Pioneiro, região de Jacarezinho, a 153 quilômetros de Londrina, produtores e técnicos estão tentando organizar a produção leiteira. A qualidade pode facilitar competitividade e, consequentemente, maior lucro para os produtores.
O empenho resultará no Encontro de Produtores de Jacarezinho, na próxima quinta-feira, dia 27, organizado pela Emater, órgão da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab). A região, segundo o coordenador de criações da Emater-PR, de Jacarezinho, João Darci Appelt, vive muitos problemas em todo o setor produtivo do leite.
Desequilíbrio Um dos maiores problemas, segundo Darci, ainda é a baixa produção e desequilíbrio entre a oferta de leite no inverno e no verão. Pela falta de genética dos rebanhos e alimentação inadequada, a produção de leite cai em 30% no período da seca (inverno) e não se mantém nos mesmos níveis da estação das águas (verão), quando as pastagens estão em boas condições e oferecem quantidade e qualidade de alimento aos animais.
Setenta e seis por cento dos produtores daquela região têm uma produção até 50 litros/leite/dia, considerado número baixo pelos técnicos, e que onera os custos da atividade, sobretudo no transporte do leite. A média é de 30 litros/leite/dia/produtor.
Baixa produção Pouco mais de 13% dos pecuaristas de leite, segundo Darci, têm uma produção de 50 a 100 litros/leite/dia; 5,5% produzem de 100 a 150 litros/leite/dia e apenas 4,78% estão acima de 150 litros/leite/dia. A baixa produção, de acordo com Darci, tem onerado os custos de fretes nas linhas de coletas de leite pelos laticínios. Há também problemas na qualidade do produto. ‘‘Saindo da propriedade não há como recuperar a qualidade do leite.’’
Hoje o número de animais, entre mestiços e puros, na região de Jacarezinho (o núcleo da Seab engloba 23 municípios) soma 121 mil 741 cabeças. Destes, 90% são mestiços e o restante das raças holandês, jersey e pardo suíço. A média de produção dos rebanhos é de 1.630 vacas/lactação/ano. As fêmeas mistas têm lactação de sete a oito meses e as fêmeas puras de 300 dias.
Leite na rua A produção de leite da região, conforme o técnico da Emater, fica em 89 milhões 336 mil 750 litros/leite/ano. Do total, pouco mais de 62% é entregue aos laticínios (56 milhões de litros). O restante é vendido nas ruas, sem a conscientização da população do risco em consumir um produto não pasteurizado.
A instabilidade de produção, afirma o técnico, também dificulta a organização nos laticínios. ‘‘A indústria não tem como trabalhar com uma oferta de leite maior no verão e menor no inverno. Os produtores têm que se organizar para equilibrar a produção. Fazer alimentação de inverno para os animais e investir na genética, usando mais Programa de Inseminação Artificial (PIA), da Seab, disponível em 16 municípios da região. Outra solução para reduzir custos de fretes seria a compra de resfriadores comunitários, com coleta do leite em dias alternados.’’

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