A questão não é fácil de responder. O setor cooperativo de produção de leite no Paraná procura seu rumo. Seja na fusão de grandes, pequenas e médias cooperativas, para fazer todo o processo de produção, captação, industrialização e venda de seus produtos, a fim de competir no mercado. Ou na fusão das cooperativas com empresas multinacionais do setor lácteo para viabilizar as contas e sair das dificuldades.
O receio da incorporação de indústrias particulares com cooperativas está na agressividade que estas empresas mantém pelo poder de capital. Com os produtores descapitalizados há o medo de perder o direcionamento do cooperativismo.
Normalmente os acordos têm sido feitos com 51% de cotas ou mais para as empresas particulares. Ao fazer o aporte de capital para modernizar a produção ou capacidade instalada, estas empresas bancam a parte financeira e, para isso, acabam ficando com mais cotas de participação. Com isso, os produtores vão perdendo poder de fogo.
Dentro do sistema ‘‘Mas as parcerias ou fusões podem acontecer dentro do próprio sistema’’, avisa o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa. Segundo ele, do jeito que estão é que as cooperativas não podem ficar.
‘‘As cooperativas que estão na atividade leite, em todo o processo, desde a produção até o mercado, têm a alternativa de buscar alianças etratégicas para sobreviver dentro ou fora do sistema cooperativista. Não basta ter indústria, tem que ter dinheiro para fazer o marketing, e conseguir maior poder de barganha na negociação dos produtos...’’
Novo caminho? Fusão e incorporação de empresas, a profissionalização da administração e a formação de alianças estratégicas. Este é o novo caminho do cooperativismo, sobretudo o leiteiro, na opinião do empresário e produtor Dick de Geus, hoje na administração da Batávia SA, a ex-Batavo, que teve 51% de suas ações vendidas para a Parmalat, multinacional da área de industrialização de lácteos.
Com a fusão, há pouco mais de dois anos, que Dick de Geus chama de ‘‘Nova Era’’, a Batavo, hoje Batávia, ‘‘houve o saneamento financeiro, acesso ao capital externo para investimento porque existe um sócio que pode viabilizar este capital, maior poder de fogo na negociação dos produtos com grandes redes de supermercados, entre outras vantagens.’’
O modelo de fusão e incorporação de cooperativas, segundo De Geus, tem sido uma tônica nos países desenvolvidos, assim como o de profissionalização da administração das cooperativas. No Brasil começa a mostrar-se uma alternativa para cooperativas que na concorrência com grandes empresas multinacionais, acabaram perdendo espaço no mercado.
Eficiência Ao longo dos anos as cooperativas, para ganhar em competitividade, foram investindo em capital imobilizado, como empresas prontas a abocanhar mercados. A estrutura ficou cara e hoje demanda que a empresa seja extremamente eficiente a fim de não quebrar.
O fim do tabelamento do leite, a abertura de mercado e as importações causaram grandes transformações no sistema cooperatista do leite, sobretudo nas cooperativas/indústrias.
A concorrência desestruturou cooperativas e afetou diretamente os produtores. Alguns saíram da atividade, outros procuraram alternativas particulares na montagem de laticínios e outros na formação de associações para venderem melhor sua produção.
Como imobilizou muito dinheiro na indústria a cooperativa passou a endividar-se e não pode repassar melhores preços aos produtores. As indústrias das cooperativas que ao longo dos anos foram mobilizando capital, com a instalação de multinacionais, que têm capital de sobra para investir no setor, estão hoje sem fôlego para sanear suas contas.
Sobrevivência Na verdade, de acordo com analistas do setor, quando a cooperativa começou a querer ser indústria também, fazendo todo o processo na cadeia produtiva do leite, desde a produção até a venda dos produtos, perdeu o rumo.
O produtor está tão descapitalizado, que chega a ser quase impossível fazer qualquer investimento nesta área. Além do mais, a pecuária de leite convive com uma grande dificuldade de crédito. E quando há crédito, os juros são incompatíveis com a rentabilidade do setor. Mas há como a indústria reduzir esses custos; a receita é aumentar a eficiência.
A procura A Cooperativa Itambé, de Minas Gerais, por exemplo, está procurando parceiros há um bom tempo, mas não quer entregar a maioria de suas ações. Enquanto procura um parceiro, a cooperativa não parou de fazer investimentos, cresceu em produção. Tanto que em 1999 ultrapassou a Parmalat no ranking de recepção de leite no Brasil e ocupou a segunda posição, atrás da Nestlé, a primeira colocada.
A Cooperativa Paulista, de São Paulo, que também procura parceiros, perdeu parte de suas filiadas, como a Colvap, de Presidente Prudente (SP), que montou uma planta industrial de longa vida e está captando leite em vários locais, inclusive no Norte do Paraná.
O sistema cooperativista, que sempre foi o contraponto no setor onde grandes empresas estão dominando o mercado, terá que arrumar alternativas para preservar a atividade do cooperado, especialmente o pequeno produtor, e agregar valor ao seu negócio.

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