Na última semana, um grupo formado por engenheiros agrônomos e florestais de todo o Paraná participou do treinamento que irá formar 22 novos instrutores para o curso de aplicação de agrotóxicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Os destaques foram as novidades impostas pela Instrução Normativa 31 (INR 31), que prevê mudanças nas legislações de transporte, manipulação e armazenagem de defensivos.
Segundo o engenheiro agrônomo Johnny Fusinato Franzon, técnico do Senar responsável pelo setor de agrotóxicos, com as novas regras, é mais seguro que os produtores peçam às revendas que entreguem os defensivos na propriedade, ''pois as empresas possuem todos os aparatos legais para o transporte seguro dos itens''.
Além disso, todo produtor ou trabalhador rural que tiver contato direto com o produto químico é obrigado a fazer um curso com carga horária mínima de 20 horas. ''Durante fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho é exigido um certificado e se o manipulador não tiver será autuado'', explica Franzon, ressaltando que no Paraná, o Senar é o único órgão que oferece esse tipo de documento.
No caso da armazenagem, completa o agrônomo, as regras até então baseadas no bom senso do agricultor passam a funcionar com respaldo legal. Entre elas, local isolado e piso impermeável para acomodação dos produtos, acesso controlado de pessoas ao barracão e devolução de embalagens vazias aos postos de recebimento credenciados.
Outra novidade imposta pela INR 31, e que poderá gerar mais custos para os agricultores, é a obrigatoriedade do empregador fornecer todo o equipamento de proteção individual lavado para o trabalhador durante o período da aplicação do defensivo. ''Dependendo da quantidade de trabalhadores, a fazenda terá de contar com uma lavanderia industrial'', assinala Franzon.
Depois de aprender os princípios da tecnologia de aplicação de defensivos, o produtor Rodrigo Christofoli de Oliveira descobriu o quanto errava na condução da lavoura. ''Aprendi tudo sobre o uso correto dos equipamentos de proteção. Que além da máscara, é preciso utilizar roupa, botas e óculos. Antes usava apenas a máscara a achava que estava protegido'', diz.
Outra vantagem do curso, apontada pelo produtor, é a redução nos gastos com produtos. ''Eu usava uma dosagem excessiva porque um outro agricultor me havia indicado. Hoje aprendi a controlar melhor as doses de aplicação e, com isso, tenho custos menores'', comemora.
Aos 27 anos, Rodrigo Oliveira, nascido e criado na cidade, resolveu apostar na horticultura. Formado em contabilidade, cursou até o terceiro ano da faculdade de administração, mas preferiu mudar de ramo, confiando na lucratividade do ramo. Ele e o pai tocam a chácara de um hectare em Cambé. ''Quis deixar de ser funcionário para ser meu próprio patrão'', conta.
Toda a produção é vendida na Feira do Produtor da Saul Elkind, em Londrina, e terceirizada para outros produtores que fornecem mercadorias para as Centrais de Abastecimento (Ceasa). O lucro obtido com as vendas, aponta, é reinvestido na atividade agrícola.
Há um ano e meio na atividade, ele já buscou capacitação em agricultura orgânica, embutidos e defumados e aplicação de agrotóxicos e pretende aprender sobre plantio direto, pois arrendou uma área onde quer cultivar milho verde e soja.
De mentalidade mais aberta do que a maioria dos produtores, Oliveira encara a capacitação como ferramenta fundamental para o sucesso na nova profissão. ''O agricultor não é muito aberto a mudanças, mas se ele busca informação é porque está disposto a mudar. Como hoje o mundo muda a cada instante, é preciso se adequar para não ficar para trás'', aconselha.

SERVIÇO:n O curso Aplicação de Agrotóxicos foi o primeiro treinamento criado pelo Senar. A formação de turmas depende do número de interessados. Informações nos centros de treinamento agropecuário (CTAs) de Assis Chateaubriand e Ibiporã ou nos sindicatos rurais.

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