A região Noroeste engloba 60% dos sericicultores do Paraná e, claro, a maior produção. Só a cidade de Nova Esperança fechou a produção 2016/17 em 326 toneladas, o que corresponde a 23% da produção total paranaense. Aliado a esse volume significativo, percebe-se que a região também está conseguindo ganhos de produtividade, o que ajuda demais na rentabilidade do produtor. Em outubro de 2017, o sericicultor recebia em média R$ 18,6 pelo quilo de casulo em boa qualidade. Este ano, o valor variou entre R$ 20 e R$ 21. O números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura (Seab)

Basta uma breve análise nos números da produtividade das últimas seis safras para se notar o tamanho da evolução do trabalho no Estado. Em 2010/11, a média do produtor girava em torno de 399 quilos por hectare, com o valor médio, na época, de R$ 9,11 o quilo. Portanto, em um hectare o valor recebido pelo sericicultor era de R$ 3,63 mil. Agora, com produtividade média na casa dos 622 quilos por hectare e o valor do casulo na casa dos R$ 20, o valor médio recebido nesta mesma área é de R$ 12,4 mil.

Oswaldo da Silva Pádua é técnico da Emater de Nova Esperança (Noroeste) e gerente da câmara técnica do complexo seda do Estado, que congrega todos os elos da cadeia produtiva da sericicultura: a indústria Bratac, produtores, agentes de pesquisa, extensão e universidades para ações práticas na melhoria do setor.

Ele explica que com essa média atual de preço, o sericicultor consegue em oito criadas – sendo 250 a 300 quilos de casulo por criada – um montante médio de R$ 48 mil em dez meses de trabalho, uma média salarial bem acima de cidades como Londrina, por exemplo. "Vale dizer que já temos produtores atingindo atualmente 1,7 mil quilos por hectare, mais que o dobro da média estadual", aponta Pádua.

Esses números importantes podem ser encontrados, principalmente, em 20 unidades de referência na região Noroeste, com parceria da Emater, Iapar e Bratac, em que os produtores aplicam o que há de melhor em tecnologias e manejo e acabam se tornando espelho para os demais sericicultores e pessoas que estão querendo se inserir na atividade. "Essas unidades de referência servem como fator de irradiação de tecnologia para dias de campo, visitas, excursões e troca de experiências. Nossa expectativa é expandir essas unidades para outras macrorregiões do Estado", projeta o gerente da câmara técnica.

Por fim, entre os gargalos que a atividade tem enfrentado – principalmente dentro da propriedade rural – está uma avaliação mais rigorosa em relação à fertilidade de solo, fundamental para o bom desenvolvimento das amoreiras, o alimento da bicho-da-seda. "Dentro do barracão também são necessários alguns ajustes, muitos são antigos e precisam de reformas e adaptações, como sistema de ventilação e luminosidade. Estamos com a equipe técnica unida para levar a tecnologia mais apurada ao sericicultor." (V.L.)

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