Para matar a sede da terra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de junho de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
As condições climáticas favoráveis foram um dos fatores que ajudaram a tornar o Paraná um dos líderes na produção de alimentos no Brasil. Alta incidência de chuva, temperatura elevada durante o dia e amena durante a noite são características que favoreceram o bom desenvolvimento da agricultura no Estado. Porém, mesmo com essas vantagens meteorológicas, algumas culturas, como a de frutas, verduras e legumes, ainda não dispensam o uso do bom e velho sistema de irrigação. Presente em pouco mais de 1% da área agricultável do Paraná, esse tipo de manejo tem garantido uma produção de qualidade e bom retorno financeiro para muitos agricultores.
De acordo com dados do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o Paraná possui mais de 50 mil produtores de hortaliças que utilizam esse sistema. Só na região de Londrina, segundo maior polo de produção do Estado, são cerca de 700 agricultores que fazem da irrigação uma ferramenta para ampliar a quantidade e a qualidade dos produtos. Nilson Ladeia Carvalho, especialista em irrigação do Emater de Londrina, afirma que o processo para alguns segmentos é obrigatório, mas requer uma série de cuidados. ''Irrigar não é só jogar água, tudo depende de planejamento''.
Carvalho explica que antes de implantar a olericultura, por exemplo, o produtor deve verificar se a quantidade de água disponível em sua propriedade é o suficiente para atender toda a área. ''Sem água não há negócio'', frisa. O especialista recomenda que as plantações sejam próximas de reservatórios de boa qualidade, principalmente lagoas e afluentes de rios. ''Em grandes corredeiras, por exemplo, não se recomenda a captação água, já que a probabilidade de que esses locais estejam contaminados é muito grande''. O especialista explica que há muitos casos de rios contendo coliformes fecais, que oferecem sérios riscos para a população. Carvalho recomenda aos produtores que querem garantir a qualidade da produção, que procurem órgãos como o Instituto Ambiental do Paraná para verificar se a água que pretendem usar para irrigar a lavoura é apropriada.
Iliel dos Santos Silva, produtor de legumes e verduras em uma área de 10 hectares no Patrimônio Selva, Zona Sul de Londrina, sempre recebe a visita de fiscais da prefeitura para coleta de amostras do riacho que passa por sua propriedade. ''A qualidade da água é de extrema importância para a nossa atividade'', salienta o produtor.
Aspersão
O sistema de irrigação por aspersão é ainda o mais utilizado nas lavouras paranaenses. Segundo Carvalho, essa técnica permite maior abrangência de área. Porém, segundo o técnico do Emater, o equipamento vem sendo gradualmente substituído pelo uso dos microaspersores que, além de ajudarem a economizar água, possuem melhor eficiência. O especialista do Emater explica que um aspersor convencional tem um consumo de água muito elevado, absorvendo cerca de 3 mil litros por hora em cada saída. ''Já com o uso do micro, esse volume cai para 500 litros por hora'', destaca Carvalho. Por esse motivo, completa o especialista, é que os técnicos do Emater vêm incentivando a mudança nas propriedades rurais.
O especialista acrescenta que a escolha do horário para irrigar é outro ponto crucial. Carvalho recomenda a aplicação do processo no início da manhã ou no final da tarde. ''Um horário inadequado e um esguicho desregulado podem causar um desperdício de até 30%''. Além de economizar água, o uso adequado da irrigação não encharca o solo e diminui o risco de erosão.


