Para irrigar e fertilizar melhor
Um aparelho simples, ainda não fabricado no Brasil, mas que já pode ser encontrado em algumas lojas, orienta o produtor sobre a quantidade de nutrientes no solo, e com isto diminui tempo e dinheiro. É o condutivímetro, que mede a eletricidade e indica a quantidade dos sais solúveis existentes em determinado lugar; por exemplo no solo de uma estufa.
O aparelho só mede os solúveis, como o sulfato e outros sais de potássio, o cálcio e o magnésio, entre outros, que estão na forma de íons. O condutivímetro é utilizado porque as plantas absorvem íons (átomos carregados de eletricidade), seja de fonte orgânica ou de fonte mineral. Os íons podem ser medidos, e quanto maior for o teor de sais, maior será a condutividade elétrica do solo.
Então, o aparelho indica a quantidade total de sais que existem numa solução. Ele não qualifica; não diz quais são os sais presentes na solução, mas indica que ali tem sais, explica o engenheiro agrônomo Luís Geraldo de Carvalho Santos, que usa o condutivímetro na produção de tomates orgânicos e outras hortaliças, em estufa e a céu aberto, no Sítio São Roque, em São Roque, SP. Através de tabelas é possível saber se o nível de sais é baixo, médio, alto ou em excesso. Existe uma relação entre condutividade e quantidade de sais numa solução do solo, observa o agrônomo.
Sistemas intensivos O condutivímetro é utilizado em sistemas intensivos de cultivo que usam irrigação. Estes são sistemas que exigem muita adubação e muita irrigação, o que aumenta a dinâmica dos nutrientes no solo, com alta extração e muita demanda. O agrônomo esclarece que este dinamismo ocorre principalmente nas estufas, onde, se o produtor fizer uma adubação excessiva, pode causar um efeito deletério na cultura, pois a adubação nem sempre é benéfica. Se ela for em excesso, será prejudicial.
O aparelho indica a hora de fazer a adubação, orgânica ou não, porque se houver uma pequena quantidade de sais, logo após a irrigação a quantidade será alta. Depois de um determinado período a planta extrai estes nutrientes do solo e deve baixar a quantidade de sais. Então, para o produtor ter o máximo rendimento, ele precisa saber qual é o momento de fazer nova adubação, esclarece.
Ele acrescenta que o condutivímetro é usado ao mesmo tempo com análise de solo e análise de folha, para o produtor saber exatamente quais são os nutrientes que estão faltando. Com essa informação o produtor poderá fazer a adubação correta e atingir o máximo de produtividade com mínimos custo e desperdício. O exame de folha é feito em laboratório: o produtor envia a folha para o laboratório, que analisa o teor de nutrientes existentes nela. (Teores foliares médios são obtidos na literatura especializada.)
Análises As análises do solo e da folha, em laboratório, associadas a medições semanais ou quinzenais pelo condutivímetro, auxiliam o produtor a identificar o nível de nutrientes no solo ao longo do ciclo da planta. O agrônomo esclarece que a análise de folha deve ser feita duas vezes. A análise do solo deve ser feita antes de cada plantio, se necessário até duas vezes por ano e uma vez durante o desenvolvimento da planta. Além disso, o produtor deve também conhecer o teor de sais e o pH da sua água de irrigação.
O agrônomo explica que o solo sob cultivo protegido (estufa) se comporta de forma muito diferente do que a céu aberto. Por não haver chuva na estufa, não ocorre lixiviação; portanto, tudo que for adicionado ao solo, e não absorvido pela planta, permanece. Mesmo que o agricultor aplique apenas calcário para corrigir a acidez e utilize adubo orgânico, qualquer elemento adicional na água de irrigação poderá se acumular.
Com o tempo, de um a dois anos, o excesso de sais pode inviabilizar certos cultivos, como pepino-japonês e pimentão, por exemplo, que são culturas muito sensíveis ao excesso de sais; outro distúrbio comum e pouco percebido é a deficiência de micronutrientes, principalmente ferro e manganês. Estes microelementos - continua o agrônomo - são comuns nos solos tropicais e frequentemente encontrados em excesso. Mas, sob estufa ,o pH do solo sobe facilmente, e mesmo presentes esses elementos tornam-se indisponíveis; a planta não os assimila.
Tabelas indicarão quais são as faixas ótimas de nutrientes para cada cultura. Estas tabelas não estão disponíveis no Brasil, para algumas culturas. Para análise de condutividade, têm-se usado materiais que vêm de fora e não foram ainda plenamente adaptados ao Brasil. Mas é um indicador. Em países como Estados Unidos, Japão e outros existem as tabelas de nível de condutividade, e os teores exatos de nutrientes para cada cultura e cada variedade. Então é possível, com o aparelho, aumentar o rendimento das plantas, como por exemplo colher 10-12 quilos por tomateiro e com isto obter uma produtividade de 400-500-600 toneladas de tomate por hectare.
Gotejamento Em estufas o sistema de irrigação que predomina é o gotejamento (aplicação da água, por gotas, no pé da planta). Através do gotejamento pode-se fazer adubação líquida junto com a irrigação, economizando mão-de-obra, tempo, água e otimizando a adubação, que será feita apenas na quantidade exigida pela planta.
Geralmente a adubação inicial é suficiente apenas para a planta se estruturar e depois, através da fertirrigação (adubação líquida via irrigação), são fornecidos os nutrientes, a cada três dias, na quantidade suficiente em cada uma das fases da planta, até o final da colheita, orienta o agrônomo, que conclui: Sem sais, o solo tem uma capacidade reduzida de conduzir energia. Com sais aumenta muito esta capacidade de condução de eletricidade. É isto que se chamada condutividade. Para evitar o excesso de sais deve-se monitorar, com o condutivímetro e análises de folha e solo; fazer rotação de culturas com exigências diferentes e fazer rotação de irrigação, usando microaspersão pelo menos uma vez por ano.





