Para o engenheiro químico, Nelson Santos Pereira, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o projeto de reaproveitamento de efluentes do Curtume Vanzella é inovador. Pereira, responsável por conduzir os processos de licenciamentos ambientais de curtumes na região, aponta que as empresas do setor têm procurado destinar corretamente os resíduos da produção, mas no caso do Vanzella a medida tem sido feita com bases fundamentadas em pesquisas e estudos acadêmicos, o que é ainda mais interessante.

''Ainda não havia nada no sentido de reaproveitar os resíduos para a agricultura'', observa o engenheiro, destacando que normalmente os curtumes da região encaminham os resíduos para um aterro. Pereira aponta que o IAP fiscaliza frequentemente as indústrias do setor. ''Todos elas têm destinação correta dos efluentes e precisam arquivar e comprovar todos os procedimentos'', explica.

No caso do Vanzella, além desse procedimento, a empresa também encaminha ao IAP um relatório uma vez ao ano. Entre alguns pontos estabelecidos pelo instituto e que precisam ser cumpridos pela indústria está a fixação do valor máximo de aplicação desses resíduos por hectare ao ano.

Segundo Pereira, as ações dos curtumes têm melhorado muito nos últimos anos porque a legislação ambiental está se aperfeiçoando e as empresas precisam se adequar. O engenheiro acrescenta que o descumprimento da legislação implica crime ambiental. A multa nesses casos varia de R$ 500 a R$ 50 milhões, dependendo da gravidade da infração e do porte da empresa.

Pelo Brasil

Segundo o vice-presidente do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), Leogenio Luiz Alban, muitas indústrias do setor já tratam e aplicam o lodo de caleiro em área agrícolas Brasil afora. Já o material de curtição do couro, que tem resíduos de cromo, é encaminhado para aterros industriais. No ano passado, contudo, uma empresa instalada no Rio Grande do Sul passou a industrializar esses resíduos sólidos (cromados), transformando-os em fertilizantes.

Outras ações que visam minimizar os impactos ambientais também são efetuados pelos curtumes. Alban cita a economia de água e também a reutilização da mesma quando é possível. Conforme ele, atualmente no Rio Grande do Sul tem empresas que zeraram os lançamentos de efluentes e transformam todo o resíduo sólido em fertilizante. E reforça que é fundamental que as empresas do setor realmente trabalhem no sentido de diminuir os impactos ambientais já que existem tecnologias para isso. Na opinião dele, o setor carrega a condição de poluidor, mas muita coisa tem sido feita para mudar isso. (E.Z.)

mockup