Para especialista, usinas de álcool não são eficientes
Uma das maiores bandeiras do governo brasileiro para a geração de energia limpa é o álcool. A produção do combustível a partir da cana-de-açúcar tem atraído as atenções mundiais e, no País, o álcool já abastece a maior parte da frota de veículos de passeio. Considerado eficiente para o rendimento dos motores e mais vantajoso economicamente para consumidores, o professor-doutor em Energia da Universidade de São Paulo, Roberto Hukai afirma que as usinas ainda são pouco eficientes e que uma grande parte da energia da cana simplemente é desperdiçada.
''O Brasil é campeão de tecnologia, mas as usinas ainda são extremamente ineficientes. Há coisas que podem ser melhoradas, principalmente, a geração de energia elétrica'', afirma Hukai. Segundo ele, as folhas da cana são responsáveis por cerca de 40% da energia da planta e que, por isso, poderiam ser queimadas juntamente com o bagaço para a geração de energia elétrica. ''Agora a máquina colhe isso e joga no chão; o vapor gerado pela destilação também poderia ser aproveitado'', diz. Inclusive, a sugestão é o armazenamento do bagaço e das folhas para utilização na entressafra.
Neste caso, a usina de álcool seria transformada em uma termelétrica, que teria como resíduo o etanol. ''O custo do álcool seria baixado devido a este aperfeiçoamento tecnológico'', diz o especialista. No entanto, na sua avaliação, o mundo não terá como escapar dos biocombustíveis. A sua avaliação é que o álcool combustível seja amplamente utilizado por outros países nos próximos dez anos. No entanto, na sua avaliação, a queda na cotação do petróleo pode afastar momentaneamente o interesse pelas energias limpas.
''Mas não há dúvida de que o etanol vem de qualquer jeito por causa do problema ambiental e da economia. O álcool ainda é mais competitivo do que a gasolina'', observa Hukai.(F.M.)





