Para especialista, animais de rodeio sofrem
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Está na boca de todos os peões, tropeiros e demais envolvidos no mundo do rodeio: os animais não sofrem maus tratos. Contudo, diversos especialistas são incisivos ao afirmarem o contrário: os touros e cavalos que pulam nas arenas passam sim por situações que podem até ser consideradas degradantes.
É o caso do professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marcelo Seneda, que é especialista em grandes animais. Convidado a explicar, do ponto de vista técnico, como funciona o mecanismo de utilização do sedém, ele deixa claro que esse tipo de corda que envolve a região inguinal do boi causa desconforto para o animal, ao contrário do que afirmam os donos do bicho, que insistem em dizer que o sedém causa somente cócegas.
''Até no ser humano é difícil definir o que é cócegas, afinal cada pessoa sente em um lugar do corpo. Imagine para definir a sensação de cócegas de um animal. Na verdade, há um conceito mundial de que se deve evitar qualquer situação que gere desconforto aos animais. Indo além da questão do sedém, o animal de rodeio é submetido a viagens, som em volume elevado, gritaria e é obrigado a se movimentar à noite, o que é contra a sua natureza'', explica o professor.
Indo além na discussão, Seneda destaca que o rodeio pode ser analisado do ponto de vista filosófico. ''Atualmente, não paramos para refletir nem sobre a nossa própria vida. Dessa forma, poucos de nós paramos para refletir sobre a vida dos animais'', enfatiza.
Voltando a falar do ponto de vista fisiológico, o professor argumenta que o sedém é colocado em uma região dos animais que comprime o prepúcio e, como consequência, o pênis, que fica no interior dessa parte do corpo dos bichos.
Um artigo publicado na Revista de Educação Continuada do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo, em que Seneda é um dos autores, há uma descrição sobre uma situação fisiológica que evidencia o estado de sofrimento dos touros. Trata-se da midríase, a dilatação da pupila do bicho, algo que só acontece quando o animal se sente agredido, assustado, com medo ou em pânico.
''Estando a púpila aberta, e somente nesta condição, pode ser visto com facilidade o amplo halo da luz que, sendo emitida repentinamente, por exemplo, de um farol ou 'flash', incide no fundo do bulbo ocular, sendo refletida...'', diz um trecho do artigo. As fotos feitas pelos repórteres fotográficos da FOLHA durante a final do rodeio da Expo 2008 mostram os animais com os olhos brilhando, refletindo as luzes dos flashs, durante as montarias. (W.S.)


