O engenheiro agrônomo Edvaldo Gondo, que é também supervisor regional norte/sul Paraná, da Coodetec, garante que a baixa produtividade nas lavouras de Bela Vista do Paraíso foi decorrente de uma coincidência de fatores provocados pelo comportamento do clima. Ele esteve na FOLHA, acompanhado pelo representante de vendas da cooperativa, Daniel Aloysio Serrarens. Ambos explicam que a soja - como característica da planta - tem seu desenvolvimento estimulado por fotoperíodo, ou seja, pela quantidade de horas de luz a que a planta é exposta. Além da luz, o grão sofre interferência da temperatura e ainda da disponibilidade de água no solo.
''A falta de chuvas, registrada no fim de outubro e início de novembro do ano passado, associada à grande variação de temperatura neste mesmo período, estimularam a planta ao florescimento precoce, impedindo seu crescimento'', justifica. As anomalias no crescimento da soja, segundo ele, foram constatadas pela cooperativa que, naquele período, emitiu uma nota à imprensa. O mesmo procedimento foi adotado pela Embrapa Soja, divulgado no site da instituição no dia 22 de dezembro.
Diz a nota: ''A grande maioria das cultivares de soja respondem ao fotoperíodo. A indução floral ocorre normalmente quando o cumprimento do período escuro atinge determinado número de horas (cada cultivar tem uma resposta particular) e os níveis de temperaturas estão na faixa de 25 a 30ºC. Em temperaturas maiores há uma aceleração desta indução. Variações muito bruscas de temperatura podem provocar reações fisiológicas que alteram o metabolismo normal das plantas ocasionando, por exemplo, um antecipação do início do florescimento, principalmente quando superam os 32ºC.''
De posse dos mapas climáticos emitidos pelo Iapar, Edvaldo Gondo lembra ainda que, naquele período, houve uma grande amplitude térmica - a variação de temperatura entre a máxima e a mínima registradas no mesmo dia chegou a 15 graus centígrados. Quanto à reclamação do baixo enchimento dos grãos, o supervisor da Coodetec, destaca que foi ocasionado pela pouca disponibilidade de água no solo no período.
Outra hipótese levantada pelos produtores de Bela Vista do Paraíso foi quanto à qualidade da semente adquirida. Gondo defende-se dizendo que todos os testes de sementes e poder de germinação são comprovados com certificados de garantia, que o produtor recebe com a nota de compra do produto. ''A comprovação da origem do produto é lei no Brasil'', reforça. Só da cultivar CD 214 RR, a Coodetec comercializou no ano passado 2 milhões de sacas. ''A CD 214 é a variedade transgênica de maior área plantada no Estado, com aproximadamente 1,7 milhão de hectares e bons exemplos de produtividade'', informa.(C.G.)

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