Para combater as plantas daninhas
Apesar de extremamente técnico (não foi aberto ao público em geral), o 3º Congresso Internacional das Ciências da Plantas Daninhas apresentou temas de interesse dos agricultores e também da população, entre eles produtos transgênicos (geneticamente modificados), bioherbicidas (defensivos produzidos à base de materiais orgânicos) e questões de proteção ambiental. O encontro começou terça-feira no Hotel Rafain Palace em Foz do Iguaçu e será encerrado amanhã.
O objetivo principal do congresso é fazer com que os especialistas de diferentes países troquem informações e até mesmo integrem projetos. Exemplo disso foi a exposição de pesquisadores da Inglaterra, que apresentou um trabalho explicando como uma erva daninha australiana foi controlada com o uso de fungos encontrados na América do Sul. Testes com o mesmo fungo estão sendo feitos no Brasil, apresentando bons resultados no combate ao amendoim bravo. Pesquisas semelhantes vêm ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos, países onde estão sendo desenvolvidos os chamados bioherbicidas, produtos industrializados que têm como base a ação de organismos vivos sobre plantas. O mesmo processo que já é bastante comum em pesquisas entomológicas (estudos sobre insetos) está sendo desenvolvido entre os vegetais, explicou o novo presidente da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD), João Baptista da Silva, lembrando também que esses produtos ainda estão em fase de estudos no Brasil.
Ambiente e transgênicosO uso de transgênicos também foi muito discutido em ambos os congressos. O pesquisadores brasileiros ainda se mostram bastante arrredios sobre o assunto, enquanto que os vizinhos argentinos, por exemplo, continuam investindo na produção agrícola à base das sementes alteradas geneticamente. Um quinto da produção do milho na Argentina é trangênica, índice considerado pequeno perto da cultura da soja, onde atualmente 90% das lavouras são oriundas de sementes modificadas.
Quanto às questões ambientais, foi unânime entre os participantes a idéia de que os defensivos agrícolas devem ser cada vez menos nocivos à natureza. A SBCPD apresentou uma proposta onde prevê a criação de um comitê brasileiro dentro da comissão organizadora, que terá como objetivo principal o acompanhamento da produção de herbicidas nos laboratórios e indústrias.
NacionalParalelo ao evento internacional, foi realizado
o 22º Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, onde os participantes puderam conferir 516 trabalhos científicos desenvolvidos em dezenas de centros de pesquisa espalhados pelo País.
Foram apresentados 30 trabalhos e a maratona em busca de informações foi realizada por 600 participantes, que debateram diversos assuntos. Entre eles, questões de extrema importância para o setor agroindustrial, já que a indústria de defensivos movimenta, só no Brasil, cerca de US$ 2,5 milhõess, explicou o presidente da SBCPD, João Baptista da Silva, lembrando ainda que o País é o segundo mercado do mundo, somente no consumo de herbicidas.
Silva destacou três aspectos importantes sempre discutidos nos encontros. Um deles é a melhoria nas práticas de conservação da área produtiva, destacando sempre o plantio direto (que hoje é utilizado em 12 milhõess de hectares em terras brasileiras). Outros dois pontos importantes estão ligados às questões ambientais, como o uso rotativo de diversos herbicidas (para evitar a sobrevivência de espécimes resistentes aos produtos) e a proteção direta do meio ambiente, utilizando dosagens cada vez menores e produtos bem menos tóxicos.
Todos os assuntos tratados no encontro serão divulgados em boletins e revistas, entre outros periódicos publicados pela SBCPD. As informações são repassadas também para laboratórios, indústrias, universidades e serviços de extensão (como a Emater, por exemplo), para finalmente chegarem aos agricultores, e por sua vez beneficiarão os consumidores finais com a aplicação das técnicas.





