Para CNA, falta de ação agrava crise do leite
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sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Reportagem Local 
Brasília - Os criadores de gado de leite investiram na qualificação da produção nos últimos anos, permitindo ao Brasil deixar de ser um dos principais importadores mundiais de lácteos e tornar-se um exportador nesse segmento. Apesar de terem apostado no aperfeiçoamento da sua atividade, gerando resultados positivos para a balança comercial, o que os pecuaristas enfrentam hoje é um cenário de crise, com preços pagos pelo leite extremamente baixos.
''Os produtores foram eficientes e agora estão sendo penalizados por isso'', disse Marcelo Costa Martins, assessor técnico do Departamento Econômico (Decon) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ao participar de audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para tratar da crise do setor leiteiro nacional.
Em 1997, o Brasil registrou déficit de US$ 447 milhões na balança comercial de lácteos. Aos poucos, o criador investiu e conseguiu ampliar a quantidade e a qualidade do leite, principalmente a partir de 2001, quando foram adotadas pelo governo medidas antidumping, evitando a entrada no mercado nacional de lácteos importados a preços mais baixos que o custo de produção, ou seja, em condição de concorrência desleal. No ano passado, o Brasil conseguiu, pela primeira vez, obter superávit na balança de lácteos, com saldo positivo de US$ 48,5 milhões.
A produção brasileira de leite sob inspeção cresceu 6,4% em 2004, atingindo 14,5 bilhões de litros. No primeiro semestre deste ano,a produção subiu 13,3% na comparação com igual período do ano passado. Todos os indicadores apontavam para que, em 2005, o País se consolidasse como forte produtor e exportador de lácteos, mas o câmbio desfavorável e a tímida presença oficial com os mecanismos de apoio à comercialização levaram o segmento à nova crise.
Martins apresentou dados comprovando que a partir do segundo semestre deste ano o Brasil voltou a ser superavitário na balança comercial de lácteos, mas às custas da redução dos preços pagos ao produtor. Pagar menos pela produção no campo foi a forma de tornar os lácteos competitivos no Exterior, em momento em que a moeda nacional está sobrevalorizada perante o dólar. No campo, essa perda de renda do produtor pode gerar desestímulo à produção leiteira em médio prazo, advertiu Martins.
Entre janeiro e setembro, o preço pago pelo leite ao produtor caiu 20%. Dessa forma, em julho, agosto e setembro, o Brasil voltou a ser superavitário na balança comercial de lácteos, pois o País conseguiu oferecer produtos a preços competitivos, em dólar, no mercado internacional. Martins alertou também que o consumidor brasileiro não foi beneficiado com a queda dos preços no campo, pois no mesmo período, os valores dos lácteos, no varejo, caíram apenas 5%. ''Não existe repasse ao consumidor da queda do preço pago ao produtor'', disse.


