Diferentemente dos que defendem a reformulação do Código Florestal, as organizações ambientais batem na tecla de que a legislação em vigor tem sim um respaldo científico. A principal alegação é que tanto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) estão a favor do Código atual e afirmam que a proposta que irá entrar em votação baseia-se na ideia de que ''não há mais áreas disponíveis para a expansão da agricultura brasileira''.
Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação da WWF Brasil, uma das maiores organizações de conservação da natureza do mundo, comenta que o novo Código necessita de ajustes baseados na ciência. ''Tudo que está sendo dito não está tendo um respaldo no que a ciência defende. Há muitos pontos que precisam ser revistos''.
Scaramuzza ressalta ainda que a maioria da comunidade científica não foi consultada sobre a reformulação da lei. ''Os principais setores da sociedade não foram ouvidos. As audiências públicas realizadas foram direcionadas apenas para setores interessados em votar na reformulação do Código'', opina ele.
Segundo o superintendente da WWF, caso o projeto de lei seja aprovado pelos deputados e depois no Senado, uma catástrofe natural pode acontecer nos próximos anos, estimulando novas ilegalidades, aumentando as áreas de desmatamento e até gerando uma maior incidência de inundações e desabamentos. ''O que acontece é que a aprovação do Código Florestal virou mais uma briga política do que para tentar conciliar a preservação ambiental e a produtividade no campo. O produtor muitas vezes não sabe o que está acontecendo e como essas mudanças vão influenciar na sua propriedade. O diálogo deve ser maior para encontrarmos um ponto satisfatório'', finaliza Carlos. (V.L.)

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