O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, afirma que as empresas e entidades do setor têm investido no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a cultura da cana-de-açúcar e para a capacitação de mão de obra, que corre risco de desemprego ao longo do processo de mecanização. Porém, diz que a situação econômica apertada das usinas dificulta a aceleração do processo de evolução.
No caso de tecnologias, ele cita que empresas e entidades mantêm convênios com órgãos como a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) e ao Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). "Somente nesse início de ano, seis novas variedades de cana foram lançadas", diz.
Ele considera que o Paraná tem particularidades que causam problemas para até mesmo na despalha natural da cana, por exemplo. "O clima de inverno aqui é definido e gera demora na decomposição da palha no solo", cita. Ele vê a necessidade de uma planta que gere menor quantidade de resíduos do tipo e que caia mais cedo, não apenas quando a cana fica madura. "Isso permite a decomposição antecipada.

PARA TRABALHADORES
Fruto de grande preocupação também nas ações propostas pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo fim da queima de cana, o presidente da Alcopar revela que há preocupação com o destino dos cerca de 60 mil trabalhadores diretos do setor no Paraná. Para Tranin, a profissão de cortador de cana não tem apelo junto aos jovens e que a própria evolução do mercado tende a forçar a mecanização. "Por meio do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), fazemos o treinamento desses trabalhadores em funções como condutor de colheitadeira e de caminhões. Muitos deles também estão em idade avançada e devem se aposentar". (F.G.)

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