Para agricultura familiar, apenas recuperação de preços
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
O ano de 2002 não foi ruim para a agricultura familiar, uma vez que houve anos piores, como em 1995 e 1997 quando os preços dos produtos como feijão e milho despencaram no mercado, avaliou Marcos Oliveira, coordenador do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser). Para ele, alguns produtos, como o milho, a soja, o feijão e o fumo apresentaram nesse ano um comportamento favorável aos preços, que compensou o aumento nos custos.
O custo de produção no plantio da safra 2002/03 subiu para os agricultores familiares, como para todo a agricultura, disse Oliveira. Segundo ele, o aumento no custo do petróleo e de seus derivados que constituem as matérias-primas do indústria de fertilizantes desencadeou uma onda de remarcações no custos dos agrotóxicos, que tiveram suas cotações definidas em função do câmbio. ''Assim, os preços recebidos quando essa safra for vendida no ano que vem, terão que cobrir custos dolarizados'', lembrou.
Os pequenos produtores de feijão conseguiram recuperar as perdas este ano. O agricultor familiar vinha reduzindo a área plantada a cada ano em decorrência das sucessivas crises que derrubavam o preço do produto. O agricultor familiar que insistiu na cultura este ano, teve uma rentabilidade bem melhor que anos anteriores. O preço da saca atingiu em média R$ 50,00, quando ele não recebia mais que R$ 18,00 a saca no início do plano Real, comparou o pesquisador Arnoldo de Campos, do Deser. O pesquisador destaca que o agricultor familiar não foi muito afetado pelo aumento dos insumos dolarizados porque utiliza pouca tecnologia no plantio.
A agricultura familiar deverá enfrentar dificuldades no início de 2003. Isso porque os preços no varejo devem ter dificuldades de sustentação em função da estagnação dos salários. Oliveira lembra ainda o poder dos supermercados na formação de preços ao consumidor final, cujo efeito recai em última instância sobre os agricultores. ''Os supermercados negociam quedas de preços no atacado com a indústria, que então reduzem os preços pagos aos agricultores'', explicou. (V.C.).


