Para Abag, dólar alto favoreceu o setor
O diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni, afirma que 2015 não foi um ano fácil para ninguém. Mesmo com um bom desempenho, ele observa que o agronegócio poderia estar em uma situação bem melhor. Neste ano, a Abag estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio fique entre R$ 2,3 e R$ 2,4 bilhões. Em 2014 o PIB do agro fechou em R$ 3 bilhões.
Porém, Cornacchioni explica que o ano foi de câmbio e preço da soja favoráveis. Ele salienta que se o dólar estivesse em baixa, o agronegócio brasileiro estaria em "maus lençóis". O diretor-executivo da Abag frisa que houve em 2015 uma retração de consumo no mercado interno. Cornacchioni lembra que os produtores aproveitaram o bom momento de preços em alta para fazer caixa e que devem continuar fazendo isso.
"Se o produtor der uma bobeada no caixa, vai passar um ano de sufoco", orienta o especialista. No cenário para 2016, avalia que os créditos ficarão mais difíceis, mas percebe que os preços das commodities têm se elevado em dólar. A alta no valor dos combustíveis, avalia o representante da Abag, é um dos principais problemas da economia, pois emperra o bom desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Aliada a uma precária e cara logística e infraestrutura para o escoamento da safra, o cenário piora.
Otávio Dalogo, produtor na região de Maringá, afirma que o ano não foi dos melhores, mas também não foi ruim. Ele explica que a alta nos preços dos insumos acabou tirando o lucro do agricultor. "Não ganhamos o que poderíamos ganhar", lamenta. As chuvas, segundo o produtor, é outro fator que deve trazer prejuízos neste ciclo de verão.
Nesta safra, o agricultor semeou 120 hectares de soja e espera colher 45,83 sacas por hectare, contra 58,33 sc/ha colhidas no ciclo anterior. "Os preços estão caindo e a produção pode ser menor" sinaliza Dalogo.
Maurício Okimura, produtor no distrito de Paiquerê, observa que as fortes chuvas deste ano podem resultar em queda de 30% na sua produção de soja. "Registramos até chuva de pedra", lamenta o agricultor. Na safra de inverno do último ciclo, o produtor também sofreu com as intempéries na colheita do trigo. "Nunca tinha visto tanta chuva assim", disse com espanto.
As chuvas aumentaram os custos de produção de Okimura, pois precisou dessecar a lavoura por três vezes. Ele explica que quando dessecava, logo chovia e acabava perdendo a pulverização. Em 2016 ele espera que a safra seja boa, mas o futuro ainda é incerto. (R.M.)





