PALMITOS - Prontos para o consumo
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Nem mesmo os 32 milímetros de chuva caídos na madrugada da última quarta-feira atrapalharam os trabalhos na Fazenda Canadá, em Londrina. O trator da fazenda cuidava de desencalhar os veículos que ficavam pela estrada. Afinal, tinham uma missão: levar a seu destino - uma fábrica de conservas na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina -, o primeiro lote de palmitos produzidos em escala no Paraná.
Mais do que vencer um desafio imposto a si mesmo, o proprietário João Viotto Neto afirma que a colheita comprova a viabilidade do cultivo da planta no Norte do Estado. Em 2003, mesmo sendo tachado de louco, ele modificou a vocação da propriedade de 250 hectares, antes voltada à produção pecuária, com o plantio da palmeira real australiana.
Para isso, Viotto debruçou-se em pesquisas sobre esse cultivo e sua viabilidade econômica. Ele contou com parceiros importantes como o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), de Santa Catarina. Esses estudos apontaram semelhanças entre as condições climáticas e pluviométricas da fazenda, e as do litoral catarinense, onde o cultivo da palmeira real já está estabelecido.
No fim do mês de novembro do ano passado, Viotto cortou 300 ''cabeças'', de palmito, que foram levados para o estado vizinho, para avaliação do rendimento industrial da produção, além de determinar critérios sobre qual árvore está no ponto ideal de corte. ''Em 2001, durante a elaboração do projeto da palmeira real, foi estimada uma renda de 550 a 620 gramas de palmito por haste. O processamento, no entanto, superou nossas expectativas. A renda média foi de 750 g/haste'', comemora.
Esse bom rendimento, segundo o produtor, deve-se não só à qualidade do solo e às práticas de manejo adotadas, mas também à quantidade de horas de luz solar recebidas pelas palmeiras. ''Londrina é cortada pelo Trópico de Capricórnio, o que concede à região cerca de 800 horas de fotoperiodismo a mais. Com isso, o desenvolvimento vegetativo das palmeiras foi maior do que a média registrada nas principais regiões de cultivo do País, como o litoral catarinense e o Vale da Ribeira'', explica.
Viotto está investindo em melhorias nas técnicas de manejo, com o objetivo de elevar a renda média do palmito para 800 gramas. Entre as novidades, ele cita a irrigação, melhoras no desbaste das palmeiras, e incremento no consórcio com leguminosas como a mucuna-preta e o feijão-de-porco.
A Fazenda Canadá já possui 50 hectares plantados, com quase 1,3 milhão de árvores. Em mais dois anos toda a propriedade deve estar exclusivamente com o cultivo da palmeira real australiana, alcançando, aproximadamente, 3,9 milhões de plantas.
A atividade tem despertado o interesse de outros produtores na região. João Viotto estima uma área plantada de 300 hectares. Para este ano ele ainda pretende instalar uma indústria de processamento de palmito, em conjunto com mais um produtor. ''Teremos necessidade de mais produção, por isso estamos em busca de parceiros'', convoca.


