''Entusiasmado é aquele que acredita na sua capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo''. Este é o pensamento que rege a vida do produtor londrinense João Viotto Neto. De consultor e pecuarista, ele tornou-se um agricultor tecnificado em apenas cinco anos.
Arriscando tudo, modificou a vocação de sua propriedade antes voltada ao confinamento de bois para a produção de palmito. Os primeiros frutos serão colhidos no final deste ano e a expectativa é de uma renda anual de mais de R$ 50 mil/hectare com a nova atividade.
Um estudo agronômico feito em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), de Santa Catarina, apontou semelhanças entre as condições climáticas do litoral catarinense onde a palmeira real australiana melhor se desenvolve e a Fazenda Canadá. Média pluviométrica superior a 2 mil milímetros ao ano, superávit hídrico anual de 1,6 mil milímetros, 480 metros de altitude, temperatura superior a 20 graus celsius e umidade relativa do ar de até 75% contribuiram para que o entusiasmo do produtor se transformasse em realidade.
Com as informações na mão, Viotto dividiu a propriedade de 250 hectares em talhões de um hectare cada para dar início à produção, em 2003. Cada talhão foi plantado com sementes rastreadas, em diferentes sistemas produtivos. O mais antigo não tem irrigação. Já o mais recente é cultivado em consórcio com o feijão de porco, leguminosa que além de sombrear as mudas, fixa nitrogênio e mantém a umidade do solo. ''Esta foi a nossa melhor descoberta, pois conseguimos reduzir o custo de produção drasticamente, com menor uso de herbicida e adubo'', aponta o produtor.
Ele ressalta que o uso da palha de trigo também contribuiu para a manutenção da umidade do solo em alguns talhões onde não houve irrigação. ''A água é o item mais importante no cultivo da palmeira'', assinala Viotto. Ele explica que a irrigação é imprescindível nos 120 primeiros dias de plantio, pelo menos uma vez ao dia.
A adubação também contribui para o melhor desenvolvimento da lavoura e deve ser feita quatro vezes ao ano. Já o menor espaçamento entre as plantas reduz custos de manejo. O ideal, aponta Viotto, é um espaço de 1,3 metro entre as ruas e uma distância de 30 centímetros entre as árvores para que cada hectare tenha até 25,6 mil plantas. ''A colheita é feita quando o diâmetro da árvore tiver entre 12 e 15 centímetros, mas se o produtor quiser adiar o corte, não tem problema, pois a palmeira é bastante resistente às intempéries'', informa.
Hoje, a Fazenda Canadá já conta com 3 milhões de plantas em diversos estágios de maturação e a estimativa do produtor é cobrir toda a fazenda com palmeiras até abril de 2007.

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