Paixão por horta orgânica
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Érika Pelegrino<BR>Reportagem Local 
No sítio do casal de agricultores Liriam e Luiz Hino, localizado em Assaí, o uso de agrotóxicos sempre foi controlado, mas há cinco anos a busca por um modo de vida mais saudável fez com que adotassem o sistema orgânico de agricultura.
Na propriedade são produzidos, em média, 400 maços por semana de hortaliças orgânicas alface, rúcula, cenoura, espinafre, couve, beterraba, rabanete, repolho em um hectare. A produção é certificada pelo Instituto Biodinâmico (IBD), de Botucatu (SP) e vendida nas feiras livres de Assaí. O cultivo de orgânicos é um constante aprendizado.
O casal explica que o início da conversão é complicado e trabalhoso. Primeiro é preciso melhorar a terra, castigada pelo uso de venenos. Liriam e Luiz Hino
fazem adubação verde plantam tremoço, aveia que aumentam a formação de microorganismos e nutrientes. Assim não precisamos de adubo químico para a formação de nitrogênio, cálcio, fósforo, afirma Liriam.
Os critérios do IBD são seguidos a risca. Fazem semente orgânica de alface na propriedade e compram as de cenoura e rúcula. As outras são convencionais. Toda a propriedade é cercada por barreira natural, na horta é conservada uma quantidade de mato e plantadas mostarda e acelga para servirem de abrigo para os inimigos naturais. A biodiversidade do local é conservada para desta forma evitar infestações de pragas. O uso de agrotóxicos foi substituído pelo controle biológico.
Quando é necessário lançam mão de recursos naturais para combater pulgão, vaquinha. Entre estes recursos estão macerados de pimenta e da própria vaquinha, vespinhas e produtos biológicos. No primeiro ano usamos bastante. Mas nos outros praticamente não foi preciso, afirma Luiz Hino. Ao eliminar o uso de venenos o casal economiza 80% na produção.
O cultivo de orgânicos é mais trabalhoso e mais arriscado, segundo Liriam Hino. Na safra retrasada perderam 70% da produção de alface. Neste sistema é preciso descobrir a causa das doenças e pragas. Se aparece uma podridão na alface, por exemplo, temos que saber o que está acontecendo com a raiz, a terra. No sistema tradicional é só passar o agrotóxico e pronto, explica.
Em função disto, a produção tem um preço adicional que vai de 10% a 20%. A alface convencional, por exemplo, é vendida a R$ 0,50; a orgânica a R$ 0,80, afirma Luiz Hino. A aceitação do consumidor no início foi bem difícil, por causa do preço.
Hoje o consumidor procura mais pelos produtos orgânicos. Devagar está melhorando, afirma o agricultor. Além do preço, as pessoas costumam questionar sobre a forma de cultivo, principalmente, a adubação. Alguns consumidores pensam que por causa do uso de esterco, as hortaliças podem ter coliformes fecais, explica a agricultora. Nós nem usamos esterco, fazemos a adubação verde.


