País precisa investir em defesa sanitária
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sexta-feira, 04 de agosto de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A sanidade da pecuária brasileira precisa ser encarada como prioridade orçamentária pelo governo e também pelos empresários rurais para que o Brasil possa conquistar novos mercados e gerar mais recursos. O país foi maior exportador mundial de carne bovina e miúdos (cerca de 3 milhões de toneladas e pouco mais de US$ 3 bilhões) em 2005.
Os resultados poderiam ser ainda melhores se atingissem mercados como o americano, japonês e do sudeste asiático, considerados de primeira linha. A avaliação é de Sebastião Costa Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (Cnpc). Ele participou do 5º Congresso Brasileiro de Agribusiness, realizado pela Abag, em São Paulo, que se encerrou na quarta-feira, dia 2.
''O Uruguai vendeu 300 mil toneladas de carne aos Estados Unidos em 2005, a US$ 3 mil cada tonelada, porque não há febre aftosa por lá'', compara Guedes, lembrando os problemas que o Brasil teve no ano passado com focos da doença no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Ele criticou os trabalhos da defesa sanitária adotados no País: ''devemos deixar de agir apenas nas emergências''.
Para Guedes é necessário rever a dotação orçamentária destinada à agropecuária no País, que é de 0,3% e impediria a realização de ações eficientes de controle. ''O setor é responsável por 30% do Produto Interno Bruto, 39% das exportações e por 37% dos empregos''. O presidente do Cnpc não tirou a responsabilidade de participação de entidades privadas e afirma que há interesse até mesmo dos Estados Unidos, que teme pela entrada da doença. ''É preciso compartilhar responsabilidades'', afirma.
Para o presidente do Cnpc, além dos parcos recursos, há falhas na prestação de contas desse orçamento. ''Não se sabe para onde vai esse dinheiro'', denuncia. Outra medida sugerida por Guedes, é para a padronização de normas e certificações nacionais. ''Temos que unificar organismos e departamentos envolvidos com as questões de exportação e de segurança alimentar'', diz.
O País, na opinião de Sebastião Guedes deveria ser mais eficiente na defesa dos produtos brasileiros em mercados importantes como os da União Européia. Para isso ele sugere que se estabeleçam adidos agropecuários nas embaixadas brasileiras dos Estados Unidos, Japão, China nos principais países da União européia, Oriente Médio e sudeste Asiático.
Segundo dados da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as vendas externas de carne brasileira foram de US$ 3,150 bilhões em 2005. E apesar dos embargos à carne bovina decretada por 56 países devido aos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, as exportações devem crescer 5% este ano.


